O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um levantamento inédito que reúne informações de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias e dutovias para mapear a infraestrutura logística e os fluxos de cargas que conectam municípios, regiões e mercados internacionais no Brasil.
Desenvolvida no âmbito da série Redes e Fluxos do Território, a pesquisa “Logística dos Transportes 2024” consolida bases de dados até então dispersas entre diferentes órgãos públicos e agências reguladoras, oferecendo uma visão integrada da movimentação de mercadorias no país. Segundo o instituto, o estudo busca identificar os principais corredores logísticos e compreender como produtos e insumos circulam entre áreas produtoras, polos industriais, centros consumidores e portos de exportação.
Radiografia
O levantamento está estruturado em dois grandes eixos. O primeiro reúne informações sobre a infraestrutura disponível nos diferentes modais de transporte, incluindo rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e dutovias. O segundo busca representar os fluxos efetivos de cargas que percorrem o território brasileiro, detalhando origens, destinos e tipos de mercadorias transportadas.
Nos modais ferroviário e aquaviário, os dados abrangem a totalidade dos fluxos registrados pelas respectivas agências reguladoras, permitindo identificar os principais produtos movimentados e os corredores de exportação mais relevantes para a economia brasileira.
Como resultado, o IBGE disponibilizou uma plataforma com 32 mapas temáticos interativos capazes de retratar a organização espacial da logística nacional e as conexões entre diferentes regiões do país. Para o setor de transporte e logística, a principal contribuição do estudo é oferecer uma base técnica para decisões relacionadas a investimentos em infraestrutura, expansão de corredores de exportação e priorização de obras de integração modal.
A consolidação das informações também poderá apoiar análises sobre gargalos logísticos, concentração excessiva de fluxos em determinados corredores e oportunidades para ampliar a participação de modais como ferrovia e cabotagem na matriz de transportes brasileira.
O tema ganha relevância em um momento em que o país busca reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade das exportações e acelerar projetos estruturantes como a Ferrogrão, a Fiol, a Fico e a ampliação da capacidade portuária do Arco Norte.
Base para políticas públicas
Além do uso empresarial, a nova base de dados deverá servir de apoio à formulação de políticas públicas e ao planejamento territorial, permitindo identificar regiões com baixa conectividade logística e áreas prioritárias para investimentos em infraestrutura.
Historicamente, a ausência de informações integradas entre os diferentes modais foi apontada como um dos obstáculos ao planejamento logístico de longo prazo no país, dificultando análises sobre complementaridade entre rodovias, ferrovias, hidrovias e transporte marítimo. A iniciativa do IBGE busca justamente preencher essa lacuna e criar uma referência nacional para estudos de logística e transporte.
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