As companhias aéreas brasileiras registraram lucro líquido consolidado de R$ 4,3 bilhões em 2025, ao mesmo tempo em que o mercado doméstico superou pela primeira vez a marca de 100 milhões de passageiros transportados, segundo o Anuário do Transporte Aéreo divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O desempenho marcou a consolidação da recuperação financeira do setor após anos de margens pressionadas pela pandemia, pela volatilidade cambial e pelo avanço dos custos operacionais, especialmente do combustível.
Demanda em alta
Ao mesmo tempo em que voltaram a registrar lucro, as companhias transportaram mais passageiros do que em qualquer outro momento da história da aviação brasileira. O mercado doméstico superou pela primeira vez a marca de 100 milhões de passageiros em um único ano, alcançando 101 milhões de viajantes, crescimento de 8,4% em relação a 2024 e acima dos níveis registrados antes da pandemia.
O resultado consolida a recuperação do setor e indica que o transporte aéreo brasileiro entrou em uma nova fase de expansão, sustentada pelo aumento da conectividade e pela recuperação da demanda corporativa e de lazer.
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Mais eficiência
Outro indicador que chamou atenção foi a taxa média de ocupação das aeronaves, que atingiu 83,6%, o maior patamar da série histórica da agência reguladora.
O resultado indica um uso mais eficiente da capacidade disponível e maior diluição dos custos operacionais por passageiro transportado, estratégia que vem sendo adotada por companhias aéreas em diversos mercados internacionais diante das restrições de expansão de frota e da pressão sobre rentabilidade.
A melhora operacional ocorreu mesmo em um ambiente de redução das tarifas. Segundo a ANAC, a passagem doméstica custou, em média, R$ 648 por trecho em 2025, queda real de 3,3% em relação ao ano anterior e 10,9% abaixo do registrado em 2019, antes da pandemia.
O yield doméstico médio (receita obtida por passageiro e por quilômetro transportado), indicador que mede a receita obtida por quilômetro voado, também apresentou retração de 4,9%.
Nova estrutura de custos
Na composição das despesas, o combustível continuou sendo o principal componente dos custos das companhias, mas perdeu participação relativa no orçamento das empresas, passando de 30,6% para 29,4% do total dos custos operacionais.
Em contrapartida, despesas relacionadas a seguros, arrendamento e manutenção de aeronaves aumentaram de 18,8% para 21,2%, refletindo a retomada da utilização da frota e os investimentos em renovação e expansão da capacidade.
Mercado concentrado
O anuário também evidencia o elevado grau de concentração do mercado brasileiro. A liderança permaneceu com a Latam Brasil, responsável por 38,6% dos passageiros transportados no mercado doméstico, seguida pela Gol, com 31,4%.
Juntas, as três maiores companhias continuam concentrando praticamente a totalidade da oferta doméstica do país, característica que mantém no radar do setor o debate sobre concorrência e ampliação da oferta de operadores.
Próxima fase
Para aeroportos, operadores e fornecedores da cadeia aérea, os números indicam uma combinação de maior demanda e maior eficiência operacional. Após anos focado na recuperação da demanda, o mercado passa a operar cada vez mais orientado pela eficiência dos ativos, pelo aumento da produtividade das aeronaves e pela rentabilidade das rotas.
Apesar da melhora dos resultados, executivos do setor continuam apontando câmbio, judicialização e custos aeroportuários como fatores de pressão sobre a rentabilidade das operações no Brasil
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