Aena reforça estratégia para internacionalizar Congonhas

Concessionária diz que modernização do aeroporto poderá abrir espaço para voos ao Cone Sul e ampliar a conectividade aérea de São Paulo

Valeria Bursztein

A Aena, maior operadora aeroportuária do mundo em número de passageiros e concessionária de 17 aeroportos brasileiros, reafirmou a estratégia de preparar o Aeroporto de Congonhas para receber voos internacionais de curta distância após a conclusão das obras de modernização, prevista para 2028. A proposta é ampliar o papel do aeroporto na malha aérea brasileira, criando condições para futuras ligações com cidades do Cone Sul, como Buenos Aires, Santiago, Montevidéu e Assunção.

A estratégia foi detalhada pelo presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, durante o Seminário LIDE Infraestrutura e Transporte, em São Paulo. Segundo o executivo, a modernização cria as condições para que Congonhas dispute um novo nicho de mercado voltado às ligações internacionais regionais, sem substituir o papel de Guarulhos como principal hub internacional do país. “Depois da reforma, queremos que Congonhas esteja preparado para receber voos internacionais de curta distância para o Cone Sul”, afirmou.

Projeto prepara aeroporto para novo ciclo

As obras de modernização, com conclusão prevista para junho de 2028, representam o maior investimento da Aena no Brasil. O projeto prevê aportes superiores a R$ 2 bilhões e praticamente dobrará a área do terminal de passageiros, que passará para cerca de 105 mil metros quadrados.

Entre as principais intervenções estão a construção de um novo saguão de embarque, a ampliação do pátio de aeronaves para 215 mil metros quadrados, o aumento do número de posições de estacionamento de 30 para 37 aeronaves e a expansão das pontes de embarque de 12 para 19, permitindo que aproximadamente 70% dos passageiros embarquem diretamente nas aeronaves, sem necessidade de ônibus. O projeto também inclui novas pistas de táxi, saída rápida da pista principal, reforço estrutural das pistas e modernização dos sistemas operacionais do aeroporto.

A reforma prevê ainda a ampliação da área comercial, novos lounges, escritórios, melhorias de sustentabilidade — como estação de tratamento de água, nova subestação elétrica e maior aproveitamento de iluminação natural — além da preservação dos edifícios tombados do complexo aeroportuário.

Segundo Santiago Yus, esse conjunto de investimentos cria as condições para que Congonhas amplie sua conectividade e passe a disputar um novo nicho de mercado, voltado às ligações internacionais de curta distância com o Cone Sul, complementando a oferta de Guarulhos sem alterar sua vocação de aeroporto predominantemente doméstico.

Companhias já analisam oportunidades

A concessionária iniciou conversas com empresas aéreas para avaliar o potencial dessas futuras operações. Durante o Routes Americas, um dos principais eventos mundiais da aviação comercial, a Aena realizou reuniões com 17 companhias aéreas, apresentando o projeto de modernização de Congonhas e discutindo oportunidades para novas rotas internacionais.

Yus disse que, a implantação dessas ligações dependerá do interesse comercial das empresas, da evolução da demanda, da adaptação da infraestrutura aeroportuária e das autorizações dos órgãos reguladores.

Mercado pode crescer

Na avaliação do executivo, o mercado brasileiro continua apresentando amplo potencial de expansão. Segundo ele, o Brasil registra aproximadamente 0,5 viagem aérea por habitante ao ano, índice inferior ao observado em diversos países da América do Sul e distante dos mercados europeus, onde a média varia entre duas e três viagens anuais por pessoa.

Para Yus, essa diferença demonstra que o crescimento da aviação brasileira ainda está longe de atingir seu potencial, tanto no mercado doméstico quanto nas ligações internacionais de curta distância.

Complementar Guarulhos

Segundo o presidente da Aena Brasil, a estratégia não pretende transformar Congonhas em um novo hub internacional, mas complementar a oferta existente em São Paulo com ligações de curta distância para o Cone Sul.

Para o executivo, a combinação entre localização, modernização da infraestrutura e potencial de crescimento da demanda cria uma oportunidade para ampliar a conectividade internacional da capital paulista sem alterar a vocação principal do aeroporto.

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