A Ferrovia Transnordestina deve ganhar mais 120 quilômetros de trilhos até o fim de 2026, impulsionada por um novo aporte de R$ 600 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Com o avanço previsto para o próximo ano, a ferrovia ficará a cerca de 155 quilômetros da conclusão da primeira fase do empreendimento, que ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), um dos principais corredores de exportação do Nordeste.
A previsão foi anunciada por Tufi Daher, diretor de logística da CSN, controladora da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), concessionária responsável pela construção e futura operação da ferrovia.
O novo aporte pode acelerar um empreendimento considerado estratégico para reduzir os custos logísticos do agronegócio, da mineração e da indústria nordestina. Dos cerca de R$ 15 bilhões previstos para a construção da ferrovia, aproximadamente R$ 10 bilhões já foram investidos. Os recursos restantes serão destinados à conclusão dos trechos finais no Ceará e à execução da segunda fase, no Piauí.
Lula inaugura novos trechos
O anúncio dos novos investimentos ocorreu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou dois novos segmentos da ferrovia, entre Quixeramobim e Iguatu, no Ceará. Os chamados lotes 4 e 5 somam 102 quilômetros de extensão e ampliam a malha operacional da Transnordestina até Iguatu, município que abriga um terminal logístico responsável por receber cargas provenientes do Piauí.
A Transnordestina deverá ligar o município de Eliseu Martins, no sul do Piauí, ao Porto do Pecém, na região metropolitana de Fortaleza, atravessando ainda o oeste de Pernambuco. Quando concluída, a ferrovia passará por 53 municípios nordestinos.
A primeira etapa do projeto possui aproximadamente 1.040 quilômetros e concentra hoje a maior parte das obras. Com a entrega dos 120 quilômetros previstos para 2026, restarão cerca de 155 quilômetros para sua conclusão.
A segunda fase corresponde ao trecho de 166 quilômetros entre Paes Landim e Eliseu Martins, ambos no Piauí, enquanto a terceira etapa, que ligaria Salgueiro (PE) ao Porto de Suape (PE), permanece sem cronograma definido após a devolução do ramal pela concessionária ao governo federal.
Mudança de ritmo
O avanço das obras confirma uma tendência que já vinha sendo acompanhada pela Agência Transporte Moderno desde o ano passado. Em outubro de 2025, a concessionária responsável pela ferrovia afirmava que a linha chegaria ao Porto do Pecém em 2027. No mês seguinte, a publicação mostrou como o projeto tinha potencial para transformar a logística do Nordeste ao conectar o interior produtor aos portos de exportação.
Mais recentemente, em maio deste ano, a reportagem revelou que a flexibilização de regras pelo Tribunal de Contas da União (TCU) destravou o andamento do empreendimento, enquanto, em junho, antecipou que a ferrovia entraria em uma nova fase de aceleração das obras rumo ao Pecém, cenário agora reforçado pelo novo aporte de R$ 600 milhões do FDNE.
A expectativa é que a Transnordestina se consolide como um dos principais corredores logísticos do Nordeste, reduzindo o custo do transporte ferroviário de grãos, minério, fertilizantes, combustíveis e produtos industrializados destinados tanto ao mercado interno quanto às exportações.
Para especialistas do setor, a conclusão da ferrovia deverá fortalecer a competitividade do Matopiba e ampliar a movimentação de cargas pelo Porto do Pecém, consolidando o terminal cearense como um dos principais hubs logísticos do país.
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