A Volvo pretende introduzir no mercado brasileiro sua tecnologia de caminhões movidos a gás natural liquefeito (GNL), ampliando o portfólio de soluções de baixa emissão em um momento de avanço da infraestrutura de combustíveis renováveis e de intensificação da corrida pela descarbonização do transporte pesado.
Sem divulgar um cronograma para o lançamento, a fabricante confirmou que o Brasil faz parte dos planos de expansão da tecnologia, já utilizada pela empresa no mercado europeu e que começa a ser implantada em outros países da América Latina.
“Estamos implementando essa tecnologia em alguns mercados da América do Sul, como Chile e Peru. O Brasil também deve receber essa tecnologia em breve para começarmos a trabalhar melhor esse mercado”, afirmou Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões no Brasil. Até agora, a empresa vinha concentrando seus esforços no desenvolvimento de caminhões capazes de operar com biodiesel B100 e em projetos de eletrificação para aplicações específicas.
Segundo Cavalcanti, a Volvo pretende trazer ao Brasil a mesma solução adotada na Europa, baseada em motores de ciclo Diesel alimentados por GNL.
Na avaliação da empresa, a tecnologia oferece vantagens em relação aos motores de ciclo Otto, utilizados por boa parte dos caminhões a gás atualmente disponíveis no mercado.
“Os nossos concorrentes utilizam a tecnologia do gás com motor ciclo Otto, que é o motor de automóvel. Só que o ciclo Diesel dá muito mais eficiência energética. Você consegue ter mais torque e mais potência através do ciclo Diesel do que no ciclo Otto”, afirmou.
Para o executivo, essas características tornam a solução mais adequada para operações de transporte pesado de longa distância. “Entendemos que essa tecnologia é mais interessante do ponto de vista do transporte”. A Volvo não informou quando os primeiros modelos deverão ser apresentados no Brasil.
Embora acompanhe a evolução dos caminhões elétricos, a fabricante avalia que o principal obstáculo para a expansão dessa tecnologia continua sendo a viabilidade econômica. A empresa já colocou caminhões elétricos em operação junto a clientes brasileiros para testes comerciais, mas considera que o custo total de propriedade (TCO) ainda impede uma adoção mais ampla.
“Os caminhões estão indo muito bem, mas a conta ainda não fecha. Esse é o grande desafio do veículo elétrico, seja da nossa marca ou dos demais concorrentes.”
Segundo Cavalcanti, a diferença de custo em relação aos modelos movidos a diesel continua elevada. “O cliente valoriza a sustentabilidade, mas a diferença de custo ainda é muito grande.”
Biodiesel permanece como principal aposta
Mesmo com os planos para introduzir a tecnologia a gás no Brasil, a Volvo considera que o biodiesel continuará sendo, no curto e médio prazo, o principal vetor de descarbonização do transporte pesado no país.
Desde 2024, a fabricante já entregou cerca de 300 caminhões Flex aptos a operar com biodiesel B100. Os veículos têm sido adquiridos principalmente por empresas do agronegócio e por produtores de biodiesel que utilizam o combustível em suas próprias operações logísticas.
Segundo Cavalcanti, a expansão desse mercado depende principalmente de avanços regulatórios que ampliem as possibilidades de utilização do biodiesel puro.
“A tecnologia está disponível. Os caminhões têm essa tecnologia e a produção do biodiesel também. Basta termos uma flexibilização maior na oferta do biodiesel B100.”
Hoje, o uso do combustível ainda depende de autorizações específicas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que limita a expansão da tecnologia.
O executivo afirma, porém, que há perspectivas positivas diante dos investimentos realizados por grandes grupos econômicos na produção de biodiesel e da política do governo de ampliar gradualmente a participação do combustível renovável na matriz energética.
“Nós temos produção local, matéria-prima, capacidade industrial e tecnologia. Acreditamos que essa flexibilização deve ocorrer.”
Segundo a Volvo, a procura pelos caminhões movidos a biodiesel vem aumentando, impulsionada tanto pelas metas de sustentabilidade das empresas quanto pela possibilidade de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa sem alterar a operação logística.
Além disso, diferentemente de outras tecnologias, o caminhão pode ser posteriormente revendido para qualquer operador sem necessidade de adaptações, característica que reduz o risco do investimento.
Na avaliação da fabricante, a transição energética do transporte rodoviário brasileiro deverá ocorrer por meio de diferentes tecnologias. Enquanto a eletrificação ainda enfrenta desafios relacionados ao custo e o gás amplia seu espaço como alternativa para determinadas aplicações, o biodiesel reúne hoje as melhores condições para acelerar a redução das emissões da frota pesada, combinando disponibilidade de matéria-prima, infraestrutura já existente e menor impacto econômico para os operadores.
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