Grupo Potencial amplia frota com 31 caminhões Volvo movidos totalmente a biodiesel

O movimento ocorre em meio ao plano de investimentos de mais de R$ 6 bilhões até 2030, por meio do qual o grupo pretende ampliar sua capacidade industrial

Valeria Bursztein

Lapa, Paraná — O Grupo Potencial deu mais um passo em sua estratégia de verticalização da cadeia de biocombustíveis ao incorporar 31 caminhões Volvo FH B100 Flex, equipados para operar com biodiesel puro (B100). Os veículos serão utilizados tanto no transporte de soja e farelo quanto na distribuição de combustíveis, conectando a produção agrícola, a indústria de biodiesel e a operação logística da companhia.

O movimento ocorre em meio ao plano de investimentos de mais de R$ 6 bilhões até 2030, por meio do qual o grupo pretende ampliar sua capacidade industrial e se consolidar como a maior produtora de biodiesel em planta única do mundo. A expansão inclui aumento da capacidade de esmagamento de soja, produção de etanol de milho, biogás, glicerina refinada e novos ativos logísticos.

Segundo a empresa, a frota evitará a emissão de mais de 3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano quando abastecida exclusivamente com biodiesel. A tecnologia utilizada pela Volvo permite que os caminhões operem tanto com biodiesel puro quanto com diesel convencional, oferecendo flexibilidade operacional em rotas de longa distância.

“A descarbonização depende da integração entre agronegócio, indústria de biocombustíveis, setor automotivo e logística”, afirmou Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial. Segundo ele, a adoção dos novos veículos demonstra que existem alternativas de redução de emissões que não exigem mudanças estruturais na infraestrutura de abastecimento.

Os caminhões atuarão principalmente nos corredores logísticos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, transportando soja, farelo e combustíveis produzidos pela própria companhia. A estratégia reforça um modelo de integração vertical, no qual parte da produção agrícola abastece a fabricação de biodiesel que, posteriormente, movimenta a própria operação logística da empresa.

Cadeia integrada

Fundado em 1954, o Grupo Potencial reúne operações de combustíveis, processamento de grãos, produção de biodiesel, etanol de milho, biogás, glicerina refinada, trading e logística portuária. Até o fim da década, a companhia projeta capacidade para produzir anualmente 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 1 bilhão de litros de etanol, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás, processando 4,7 milhões de toneladas de soja e milho.

Durante entrevista concedida após a entrega dos veículos, executivos da empresa afirmaram que a renovação da frota faz parte de uma estratégia mais ampla de redução das emissões da operação e de fortalecimento da segurança energética nacional. Segundo Hammerschmidt, o Brasil ainda importa aproximadamente 30% do diesel consumido, o que reforça, na avaliação da companhia, a importância da expansão dos biocombustíveis para reduzir a dependência externa.

O executivo também defendeu o cumprimento do cronograma previsto na legislação do Combustível do Futuro para ampliação gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel comercializado no país, argumentando que a previsibilidade regulatória é essencial para estimular novos investimentos industriais.

Mercado para caminhões de baixa emissão

Para a Volvo, a entrega representa mais um avanço na comercialização de veículos voltados à transição energética. A montadora informa que já soma cerca de 300 caminhões B100 Flex entregues ou encomendados no Brasil desde o lançamento da tecnologia.

Segundo Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, a demanda crescente por veículos movidos a combustíveis renováveis reflete a busca das transportadoras por alternativas capazes de reduzir emissões sem comprometer produtividade e disponibilidade operacional.

Os caminhões são classificados pela fabricante como veículos de novas energias (New Energy Vehicles – NEVs) e podem ser financiados pelo Fundo Clima, do BNDES, linha destinada a equipamentos de menor emissão de carbono. A modalidade oferece condições de crédito favorecidas para aquisição de caminhões movidos a combustíveis renováveis.

A aposta da Volvo ocorre em um momento em que diferentes rotas tecnológicas disputam espaço na descarbonização do transporte pesado. Enquanto caminhões elétricos e movidos a hidrogênio ainda enfrentam desafios relacionados ao custo e à infraestrutura de abastecimento, o biodiesel surge como uma alternativa de implementação imediata para operações de longa distância, aproveitando a rede logística já existente no país.

*A jornalista viajou a convite da Volvo.

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