O movimento de caminhões nas rodovias paulistas ganhou ritmo em 2026. O fluxo de veículos pesados cresceu 5,8% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado e acumula avanço de 4,7% entre janeiro e julho, segundo o Monitor de Tráfego nas Rodovias, elaborado pela Fipe a partir de informações da Veloe.
O desempenho indica aceleração em relação a 2025, quando o tráfego de pesados encerrou o ano com crescimento de 3,1%. Nos 12 meses terminados em julho, a alta alcançou 4,3%. Na passagem de junho para julho, já descontados os efeitos sazonais, o movimento avançou 1,2%.
A evolução é relevante para o transporte de cargas porque, segundo a Fipe, a circulação de veículos pesados apresenta relação maior com o comportamento da produção agropecuária e industrial e com as cadeias de distribuição de matérias-primas, insumos e produtos.
Mais caminhões, indústria mais fraca
O avanço do tráfego, porém, ocorre em um ambiente de sinais distintos da atividade produtiva. Dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE mostram que a produção industrial caiu em 12 dos 15 locais pesquisados em junho. No país, a retração foi de 1,8% frente a maio, na série com ajuste sazonal.
A aparente divergência exige cautela na interpretação dos números. O indicador rodoviário mede viagens, e não toneladas transportadas. Portanto, o crescimento de 4,7% no tráfego de pesados não significa necessariamente aumento na mesma proporção do volume de cargas.
A metodologia considera como uma viagem uma ou mais passagens de um mesmo veículo por praças de pedágio em intervalo de até quatro horas. O índice é calculado a partir da circulação de veículos equipados com tags da Veloe, e a série paulista é acompanhada desde janeiro de 2020.
Tráfego ganha ritmo
O movimento total nas rodovias paulistas também acelerou. Em julho, aumentou 7,6% sobre igual mês de 2025, puxado principalmente pelos veículos leves, com avanço de 7,9%. No acumulado dos sete primeiros meses, o tráfego total cresce 5,4%.
A série histórica mostra perda de ritmo depois da recuperação pós-pandemia: o tráfego total cresceu 8,3% em 2021, 7,3% em 2022, 4% em 2023, 2,5% em 2024 e 2,7% em 2025. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, a expansão voltou a acelerar, para 4,6%.
São Paulo concentra ainda mais de um quarto da frota brasileira. Em junho, o Estado tinha 35,87 milhões de veículos registrados, equivalentes a 27,2% do total nacional, segundo dados da Senatran compilados pela Fipe.
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