O roubo de cargas mantém trajetória de queda no Brasil em 2026, mas a redução das ocorrências não eliminou a pressão financeira do crime sobre transportadoras, embarcadores e seguradoras. Entre janeiro e maio, foram registrados 3.397 casos, ante 3.721 no mesmo período de 2025, recuo de 8,71%.
A diminuição dá continuidade a um movimento observado nos últimos anos. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o país registrou 8.570 roubos de carga em 2025, queda de 16,7% sobre os 10.288 casos de 2024. Desde 2020, quando ocorreram 13.283 crimes, a redução acumulada chega a 35,5%.
Os números financeiros, porém, mostram que a queda das ocorrências não significa redução proporcional das perdas. Em 2024, levantamento da NTC&Logística contabilizou 10.478 roubos e prejuízo de R$ 1,217 bilhão. Embora o número de crimes tenha caído 11%, o valor das mercadorias subtraídas cresceu 21% em relação a 2023.
Sudeste concentra 86% dos casos
A distribuição dos crimes também permanece fortemente concentrada. Em 2025, o Sudeste respondeu por 7.386 ocorrências, ou 86,18% do total nacional, segundo o Ministério da Justiça.
São Paulo, porém, apresenta forte redução em 2026. Entre janeiro e maio, o Estado registrou 1.060 roubos de carga, contra 1.613 no mesmo período do ano passado, queda de 34,3%, segundo levantamento do SETCESP com base em dados da Secretaria da Segurança Pública paulista.
O perfil das mercadorias também ajuda a explicar por que o impacto financeiro pode permanecer elevado mesmo com menos ocorrências. Dados da NTC referentes a 2024 mostram que o valor das cargas roubadas aumentou enquanto os crimes diminuíram. Entre os produtos apontados como alvos estão medicamentos, eletrônicos e insumos industriais.
João Paulo Barbosa, sócio-diretor da corretora Mundo Seguro, acrescenta carnes, ferro e aço entre as mercadorias que exigem maior atenção no gerenciamento de riscos. “O grande desafio para quem transporta carnes, ferro e aço não é apenas a perda física do produto, mas o impacto severo que a alta sinistralidade causa no custo do seguro e na operação como um todo”, afirma.
Para Barbosa, a exposição ao roubo interfere nas exigências de gerenciamento de risco e nas condições das apólices. “O seguro e a prevenção devem caminhar lado a lado”, diz.
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