A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) destacou quatro prioridades para enfrentar as persistentes deficiências na cadeia de suprimentos aeroespacial durante o primeiro Simpósio Mundial de Manutenção e Engenharia da entidade, realizado em Madri. As medidas incluem ampliar a visibilidade da cadeia de suprimentos, tornar o mercado de pós-venda mais competitivo, destravar o potencial dos dados, da digitalização e da inteligência artificial (IA) e fortalecer a formação de mão de obra especializada.
“A carteira de pedidos de aeronaves já supera 18 mil unidades. Ao mesmo tempo, a idade média da frota mundial atingiu um recorde de 15,2 anos. Além disso, a ausência de mais de 5 mil aeronaves mais eficientes, que deveriam substituir os aviões atuais, reduz a eficiência operacional das companhias, sem contar o aumento das tarifas de leasing e dos custos de manutenção. No total, as deficiências da cadeia de suprimentos custarão cerca de US$ 11 bilhões às companhias aéreas. E a recente alta dos preços do combustível de aviação tende a agravar ainda mais esse cenário”, afirmou Willie Walsh, diretor-geral da IATA.
Segundo Stuart Fox, diretor de Operações Técnicas e de Voo da IATA, os atrasos na entrega de aeronaves, problemas de durabilidade dos motores, escassez de materiais e peças de reposição e limitações na capacidade de manutenção vêm afetando diretamente as operações das empresas aéreas. “Enfrentar esses desafios exigirá medidas práticas e cooperação ao longo de toda a cadeia de valor da aviação”, disse.
Maior visibilidade da cadeia de suprimentos
A IATA pediu que os fabricantes forneçam às companhias aéreas informações mais rápidas e confiáveis sobre atrasos nas entregas, prazos de reparo, disponibilidade de peças e possíveis gargalos. Segundo a entidade, maior transparência permitirá às empresas planejar melhor suas operações globais.
Mais competição no mercado de pós-venda
A associação também defendeu que mais fabricantes adotem os princípios estabelecidos no acordo IATA-CFM, ampliando a concorrência no mercado de manutenção, reparo e revisão (MRO). O objetivo é facilitar o acesso das companhias a serviços de terceiros, peças compatíveis e reparos certificados.
Segundo a entidade, restrições comerciais relacionadas a procedimentos de reparo, ferramentas, oficinas homologadas e distribuição de peças limitam o uso de alternativas seguras e certificadas, reduzindo a concorrência, aumentando os prazos de espera e elevando os custos.
Dados, digitalização e inteligência artificial
A IATA também propôs maior integração entre os sistemas de manutenção das companhias aéreas e as informações do mercado externo para aprimorar a gestão de estoques, identificar escassez de materiais, apoiar decisões de reparo ou substituição de componentes e fortalecer processos de garantia.
Nesse contexto, a inteligência artificial pode contribuir para prever a demanda por peças, identificar riscos de desabastecimento e reduzir atividades manuais.
Entre as iniciativas já em andamento estão a parceria da IATA com o International Airlines Technical Pool (IATP), voltada a ampliar a visibilidade e o compartilhamento de peças entre companhias, e a disponibilização gratuita da plataforma MRO SmartHub às empresas participantes de um programa de compartilhamento de dados.
Formação de mão de obra
A entidade também defendeu mudanças nos processos de contratação, treinamento e licenciamento de técnicos de manutenção para reduzir prazos, ampliar a oferta de profissionais e aumentar a estabilidade da força de trabalho.
A preocupação se justifica pelo crescimento esperado da demanda. Segundo estimativa da Boeing, o setor precisará formar cerca de 710 mil novos técnicos de manutenção nos próximos 20 anos. Para a IATA, ampliar a capacidade de treinamento, reduzir gargalos na certificação profissional e aumentar o reconhecimento internacional das qualificações serão medidas essenciais para suprir essa necessidade.
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