Aviação amplia oferta de voos apesar da alta do combustível

Demanda doméstica cresce apenas 0,2% em junho, enquanto tarifas permanecem estáveis mesmo com disparada do QAV

Valeria Bursztein

As companhias aéreas brasileiras ampliaram a oferta de voos em junho, mesmo diante da desaceleração da demanda doméstica e da forte alta do querosene de aviação (QAV), principal custo operacional do setor. Dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a oferta de assentos, medida em assentos-quilômetros oferecidos (ASK), cresceu 3,3% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto a demanda, calculada em passageiros-quilômetros transportados (RPK), avançou apenas 0,2%.

Com isso, a taxa média de ocupação das aeronaves nos voos domésticos ficou em 80,7%, refletindo um crescimento da capacidade superior ao da procura. No acumulado do primeiro semestre, a aviação comercial brasileira transportou 65,2 milhões de passageiros, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, mantendo o mercado em trajetória de expansão.

Tarifas resistem à alta do QAV

Em junho, o preço médio do querosene de aviação atingiu R$ 5,66 por litro, alta de 57,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar disso, a tarifa aérea doméstica permaneceu praticamente estável. Segundo a Anac, o valor médio pago pelos passageiros foi de R$ 660,54 por trecho, aumento de apenas 0,3% em relação a junho de 2025.

A distribuição das tarifas também indica manutenção de preços competitivos. De acordo com a agência, 47,2% dos bilhetes vendidos em junho custaram menos de R$ 500, enquanto cerca de 65% foram comercializados por valores inferiores à tarifa média registrada no mês. Na outra ponta, apenas 6,3% das passagens superaram R$ 1,5 mil.

Gol amplia participação; Latam mantém liderança

Os dados da Anac mostram ainda mudanças na participação das principais companhias no mercado doméstico. A Latam permaneceu na liderança, com 40,9% de participação medida pelo indicador RPK, após crescimento de 1,5% na demanda em relação a junho de 2025.

A Gol registrou o melhor desempenho entre as três maiores empresas, com expansão de 10,7% na demanda doméstica e participação de 32,5%. Já a Azul apresentou retração de 11,7% no RPK e encerrou o mês com participação de 26,5%.

No acumulado dos últimos doze meses encerrados em junho, a Latam respondeu por 40,3% da demanda doméstica, seguida por Gol (31,8%) e Azul (27,9%).

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