O navio ro-ro BYD Changsha atracou no Porto de Itajaí (SC) na tarde desta terça-feira trazendo 7,2 mil veículos elétricos da montadora chinesa BYD. A operação, uma das maiores do setor automotivo realizadas recentemente no Sul do país, deverá ser concluída hoje, quinta-feira.
A escala reforça a importância crescente de Itajaí na estratégia logística da fabricante chinesa no Brasil. O terminal catarinense passou a integrar a rede global de portos atendidos diretamente pelos navios próprios da companhia e vem se consolidando como uma das principais portas de entrada de veículos eletrificados no mercado brasileiro.
Com a chegada do Changsha, o Porto de Itajaí deverá movimentar cerca de 11,8 mil veículos da BYD apenas no primeiro semestre deste ano, considerando também a operação realizada em maio, quando outro navio da montadora desembarcou 4.585 automóveis no terminal.
A movimentação também dá musculatura à Itajaí na disputa pela carga automotiva importada, segmento tradicionalmente concentrado em portos como Santos (SP), Paranaguá (PR) e Vitória (ES). A atração de operações desse porte amplia receitas portuárias e gera demanda adicional por armazenagem, transporte rodoviário e serviços logísticos associados.
Frota própria reduz custos
O BYD Changsha realizou sua viagem inaugural em setembro do ano passado e integra a frota própria da fabricante chinesa, atualmente composta por oito embarcações dedicadas ao transporte internacional de veículos.
A verticalização da logística tornou-se um dos pilares da expansão global da empresa. Segundo a BYD, a utilização de navios próprios permite reduzir os custos de transporte entre 30% e 40%, além de garantir maior previsibilidade das entregas e menor dependência do mercado internacional de fretes marítimos, marcado nos últimos anos por forte volatilidade. A companhia estima que sua estrutura logística seja capaz de sustentar a distribuição de mais de um milhão de veículos por ano para os mercados externos.
A estratégia reflete uma transformação mais ampla no transporte marítimo automotivo. Após os gargalos observados durante e após a pandemia, além da escassez global de navios especializados para transporte de veículos, montadoras passaram a investir em capacidade própria para assegurar espaço embarcado, reduzir custos e ampliar o controle sobre suas cadeias de suprimentos.
Cadeia logística mobilizada
Além da escala da operação, o Changsha chama atenção pelas características tecnológicas da embarcação. O navio opera com uma combinação de óleo combustível convencional, gás liquefeito e baterias produzidas pela própria BYD, solução que busca reduzir emissões e aumentar a eficiência energética durante as viagens.
Após a descarga, os veículos serão distribuídos para concessionárias e centros de distribuição em diferentes regiões do país, mobilizando uma ampla estrutura logística terrestre, especialmente o transporte por caminhões-cegonha.
A sucessão de grandes desembarques em Itajaí evidencia não apenas o crescimento da demanda por veículos eletrificados no Brasil, mas também uma reconfiguração da logística automotiva global, marcada pelo avanço das montadoras chinesas e pelo maior controle das fabricantes sobre suas operações de transporte e distribuição.
Importações elevadas
A chegada do navio dá o tom da forte expansão da presença da BYD no mercado brasileiro. A companhia lidera o segmento de veículos eletrificados no país e acelera os preparativos para iniciar a produção em sua fábrica de Camaçari (BA).
Apesar do avanço do projeto industrial na Bahia, a empresa mantém as importações em larga escala para abastecer sua rede de concessionárias. O mercado acompanha se o início da produção local reduzirá gradualmente o volume de veículos desembarcados nos portos brasileiros ou se as importações continuarão complementando a oferta doméstica.
A intensificação das importações ocorre em meio ao debate sobre a política tarifária para veículos eletrificados no país. Embora o cronograma de recomposição do Imposto de Importação para veículos prontos siga avançando, o governo federal decidiu ampliar cotas para a importação de conjuntos CKD e SKD destinados à montagem local, medida que beneficia fabricantes em fase de nacionalização da produção, como a BYD, e reacendeu o embate entre montadoras tradicionais e empresas de origem chinesa.
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