O fulfillment — conjunto de processos que engloba armazenagem, gestão de estoque, separação de pedidos, embalagem, expedição, transporte e logística reversa — deixou de ser apenas uma atividade de armazenagem e separação de pedidos para se tornar um dos principais diferenciais competitivos do comércio eletrônico. Impulsionadas pela demanda crescente por entregas no mesmo dia ou no dia seguinte, empresas de logística estão redesenhando suas operações para aproximar estoques dos centros consumidores, integrar transporte e ampliar o uso de tecnologia.
A transformação acompanha a expansão do e-commerce brasileiro, que deve movimentar mais de R$ 250 bilhões em 2026, segundo estimativas da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). O crescimento dos marketplaces, das operações omnichannel e do modelo direct-to-consumer (D2C) aumentou a pressão por agilidade e previsibilidade nas entregas.
Nesse cenário, o fulfillment passou a ocupar posição estratégica dentro das cadeias de suprimentos. A operação agora reúne atividades como gestão de estoque, separação, embalagem, emissão de etiquetas, transporte, logística reversa e monitoramento em tempo real em uma estrutura integrada.
Para Bruno Tortorello, CEO da Jadlog, o conceito evoluiu significativamente nos últimos anos. Segundo ele, o fulfillment deixou de ser um serviço logístico tradicional para se tornar uma solução completa de supply chain conectada ao ecossistema do comércio eletrônico.
A mesma percepção é compartilhada por Solon Barrios, vice-presidente de Retail e E-commerce da DHL Supply Chain. Para ele, a logística passou a ser vista pelos embarcadores como ferramenta de crescimento e geração de valor para o negócio.
A busca por níveis de serviço semelhantes aos oferecidos pelos grandes marketplaces também tem impulsionado investimentos em novos modelos operacionais. De acordo com Alexandre Otuki, diretor de Novos Negócios da Total Express, o fulfillment tornou-se fundamental para que varejistas e indústrias consigam competir em seus canais próprios, oferecendo entregas rápidas com custos controlados.
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Centros de distribuição ganham nova função
A mudança não acontece apenas nos processos. Os centros de distribuição também estão sendo redesenhados para atuar como hubs integrados de estoque, transporte e tecnologia.
Na Total Express, as operações de fulfillment passaram a funcionar dentro dos próprios hubs de transporte, eliminando etapas intermediárias e reduzindo em até 24 horas o tempo de entrega em comparação com modelos tradicionais.
A Jadlog, por sua vez, investiu mais de R$ 100 milhões em um novo hub em Perus, na capital paulista, além de expandir sua rede de unidades em diferentes regiões do país. A empresa também ampliou o uso dos pontos Pickup, utilizados para retirada e devolução de encomendas, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência da última milha.
Já a DHL Supply Chain vem apostando na descentralização dos estoques e na criação de hubs urbanos para aproximar os produtos do consumidor final.
Tecnologia assume papel central
A evolução do fulfillment também acelerou a adoção de tecnologias voltadas para produtividade e controle operacional. Sistemas de gerenciamento de armazéns (WMS), plataformas de transporte (TMS), inteligência artificial, rastreamento em tempo real e automação passaram a fazer parte da rotina das operações.
Segundo os operadores, a tecnologia deixou de atuar apenas no controle logístico e passou a impactar diretamente indicadores como prazo de entrega, acuracidade dos pedidos e taxa de sucesso nas entregas.
A DHL Supply Chain tem ampliado o uso de agentes de inteligência artificial e robôs assistentes em atividades de picking, enquanto a Jadlog utiliza sistemas preditivos para informar ao consumidor a janela de entrega da encomenda.
Nas operações de maior valor agregado, como a logística de equipamentos financeiros, a rastreabilidade e a segurança digital também ganharam relevância. Empresas especializadas têm reforçado investimentos em monitoramento em tempo real e proteção de dados para atender às exigências dos clientes.
Com a crescente demanda por velocidade, previsibilidade e conveniência, especialistas avaliam que o fulfillment consolidou sua posição como um dos principais pilares da competitividade no varejo digital e na logística moderna.
Leia a reportagem completa na edição nº 535 da revista Transporte Moderno.
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