Porto de Roterdã amplia hub para cargas refrigeradas sul-americanas

Novo complexo terá 38 hectares, terminal multimodal e 145 mil m² de câmaras frigoríficas

Valeria Bursztein

O Porto de Roterdã, principal porta de entrada marítima da Europa, anunciou a criação de um novo polo logístico especializado em cargas refrigeradas e congeladas originadas da América do Sul. Batizado de Rotterdam Food Hub, o projeto ocupará uma área de 38 hectares na região de Europoort e reunirá terminal portuário, armazéns frigorificados, infraestrutura energética dedicada e acesso direto aos berços de atracação.

A iniciativa tem como objetivo aumentar a eficiência da cadeia logística de produtos perecíveis destinados ao mercado europeu, reduzindo etapas de movimentação e integrando operações portuárias, armazenagem e transporte em um único complexo.

Para viabilizar o projeto, a Autoridade Portuária de Roterdã firmou acordos com o Necron Group e o PTP Group, responsáveis pelo desenvolvimento das instalações. A autoridade portuária ficará encarregada da construção de um cais com mais de 500 metros de extensão e de um quebra-mar para garantir maior segurança às operações marítimas.

Cadeia de frio ganha escala

A Necron Group será responsável pela construção dos complexos Necron Food Park I e II, que juntos somarão cerca de 145 mil m² de armazéns refrigerados e congelados. A estrutura será direcionada a operadores especializados em cadeia do frio e responde ao aumento da demanda europeia por soluções logísticas dedicadas a produtos perecíveis.

O grupo também desenvolverá um centro energético próprio para abastecer o novo terminal e os armazéns, permitindo que o complexo entre em operação com infraestrutura energética integrada desde o início das atividades.

Integração multimodal

O PTP Group ficará responsável pela construção de uma terminal de 73 mil m² às margens do Canal Caland, equipada com três posições de atracação para embarcações marítimas e fluviais, além de áreas de espera e infraestrutura para agilizar a transferência de cargas.

De acordo com Guillermo Misiano, CEO do PTP Group, o modelo permitirá integrar diretamente as operações de cais, armazenagem e transporte, favorecendo maior uso dos modais marítimo e hidroviário e reduzindo os tempos de processamento das cargas agroalimentares.

O projeto ainda passará pelas etapas finais de engenharia e licenciamento ambiental. A expectativa é que as decisões definitivas de investimento sejam tomadas no início de 2027.

América do Sul ganha rota estratégica

A criação do Rotterdam Food Hub coincide com o crescimento do comércio global de alimentos refrigerados, no qual o Brasil ocupa posição estratégica. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 80% das exportações mundiais de banana e por cerca de 75% dos embarques globais de abacaxi, enquanto o Brasil se destaca no comércio internacional de proteínas animais, segmentos altamente dependentes de uma cadeia logística refrigerada eficiente.

Em 2025, as exportações brasileiras para os Países Baixos somaram US$ 11,75 bilhões, com destaque para carnes, frutas, preparações vegetais e café — produtos que abastecem o mercado holandês e também são redistribuídos para outros países europeus.

A importância dessa cadeia é reforçada pelo comércio agroalimentar entre Brasil e União Europeia, que alcançou 18,6 bilhões de euros em 2025. Entre os segmentos de maior valor estão as proteínas animais, que demandam uma infraestrutura logística especializada em controle de temperatura.

Atualmente, o Porto de Roterdã dispõe de cerca de 18,5 mil conexões para contêineres refrigerados (reefers), considerada a maior capacidade desse tipo no mundo, e oferece acesso multimodal a um mercado de mais de 500 milhões de consumidores na Europa.

(com informações da portal chileno Mundo Marítimo)

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