A Embraer atravessa um dos momentos mais positivos de sua história recente. Impulsionada por uma carteira recorde de pedidos e por ganhos expressivos de produtividade, a fabricante brasileira acelerou o ritmo de produção de aeronaves, aumentou as entregas e projeta ultrapassar a marca de US$ 10 bilhões em receita anual antes do fim da década.
Durante encontro com investidores e jornalistas em São José dos Campos (SP), o CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, afirmou que a empresa conseguiu reduzir significativamente o tempo de fabricação de suas aeronaves desde 2021, período marcado por gargalos globais na cadeia de suprimentos da indústria aeronáutica.
Na aviação comercial, o tempo de produção caiu 28%, permitindo que um jato seja fabricado atualmente em menos de um ano. Na aviação executiva, a redução chegou a 45%, enquanto o modelo Praetor teve seu ciclo produtivo reduzido pela metade, de 17 meses para 8,5 meses. Já na divisão de Defesa & Segurança, a redução foi de 34%.
Segundo a empresa, os avanços são resultado da aplicação da metodologia Value Stream Mapping (VSM), que mapeia cada etapa da produção para eliminar atividades que não agregam valor e reduzir desperdícios.
Entregas em alta
A melhoria operacional já começa a aparecer nos resultados. No primeiro trimestre de 2026, a Embraer entregou 44 aeronaves, crescimento de 47% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A companhia também registrou receita recorde de R$ 7,6 bilhões para um primeiro trimestre e ampliou sua carteira de pedidos para US$ 32,1 bilhões, o maior volume da história da fabricante.
Para este ano, a empresa manteve a previsão de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos. A expectativa é que a maior eficiência produtiva permita distribuir melhor as entregas ao longo do ano, reduzindo a tradicional concentração no quarto trimestre.
O CEO destacou que a demanda continua aquecida e que praticamente todos os slots de produção para 2026 e 2027 já estão comprometidos. O desafio, segundo ele, não é vender aeronaves, mas produzi-las e entregá-las dentro dos prazos previstos.
A Embraer também mantém a meta de atingir 100 entregas anuais de aeronaves comerciais a partir de 2028, embora reconheça que problemas pontuais na cadeia global de suprimentos ainda representam um desafio para o setor.
Além da aviação comercial e executiva, a companhia aposta em novas frentes de crescimento, como a subsidiária Eve Air Mobility, responsável pelo desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTol). A expectativa é que a operação gere entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão em receitas anuais após atingir escala comercial.
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