O governo federal anunciou uma nova rodada de medidas para conter os impactos da alta internacional do petróleo sobre a economia brasileira. A principal delas é a criação de um subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel até dezembro de 2026, substituindo os programas emergenciais adotados desde março. Paralelamente, a Petrobras confirmou uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir desta segunda-feira, 1º de junho.
As medidas fazem parte da estratégia do governo para amortecer os efeitos da disparada do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os custos globais de energia e pressionou diretamente os combustíveis no Brasil.
A decisão ocorre em um momento em que o mercado começava a registrar uma redução da pressão sobre os preços. Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostrou que, após atingir valores próximos de R$ 7,60 por litro entre março e abril, o diesel iniciou uma trajetória de acomodação.
Em 23 de maio, o diesel S10 foi cotado a R$ 7,16 por litro, cerca de 2,6% abaixo do valor de referência utilizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular a tabela do piso mínimo de frete. A projeção mais recente apontava nova queda para R$ 7,14 por litro, reforçando a desaceleração após o pico registrado no início do segundo trimestre.
Esse movimento já vinha reduzindo o risco de novos reajustes no frete rodoviário, considerado um dos principais canais de transmissão da inflação para alimentos, produtos industrializados e serviços.
Leia mais
Fim da era ViaBahia: corredor bilionário ganha novo operador
Emissão do CIOT enfrenta instabilidade após entrada em vigor das novas regras
Crédito do Move Brasil pode virar armadilha para transportadoras endividadas; entenda
Petrobras reduz diesel em quase 10%
A Petrobras informou que o preço médio do diesel A para distribuidoras cairá de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro, uma redução de 9,59%. Segundo a estatal, a decisão está diretamente relacionada à nova política de subvenção aprovada pelo governo federal.
O corte praticamente neutraliza parte dos aumentos registrados desde março, quando a companhia elevou o diesel em R$ 0,38 por litro diante da disparada do petróleo no mercado internacional. Na época, o fechamento do Estreito de Ormuz e a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocaram uma forte alta da commodity.
Como funcionará o novo subsídio?
A nova medida provisória unifica os programas anteriores e estabelece um auxílio único de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores autorizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O benefício valerá até 31 de dezembro de 2026, embora o governo tenha reservado a possibilidade de revisar os valores a cada dois meses.
Para receber os recursos, as empresas deverão comprovar que repassaram o benefício ao preço de venda do combustível e identificar os descontos nas notas fiscais eletrônicas. A fiscalização ficará sob responsabilidade da ANP.
O diesel representa uma das maiores parcelas do custo operacional das transportadoras brasileiras. Como mais de 60% da movimentação de cargas do país ocorre por rodovias, qualquer variação relevante no combustível tem reflexo direto na inflação e nos custos logísticos.
A combinação entre a queda promovida pela Petrobras e o subsídio federal tende a gerar maior previsibilidade para transportadoras e embarcadores, reduzindo a pressão sobre contratos de frete e sobre a tabela da ANTT. Segundo o ILOS, o mercado já observava um ambiente menos tensionado após o pico de abril, e as novas medidas reforçam essa tendência.
Além disso, a redução dos custos logísticos pode contribuir para desacelerar aumentos de preços em diversos setores da economia, especialmente alimentos, insumos agrícolas e bens de consumo transportados por rodovias.
Cenário até o fim de 2026
A nova política marca mais um capítulo da intervenção do governo no mercado de combustíveis desde a escalada do petróleo em março. Após zerar tributos federais, criar subsídios temporários e ampliar a oferta doméstica de diesel, o governo agora aposta em uma subvenção unificada e em cortes promovidos pela Petrobras para estabilizar preços e evitar novos choques inflacionários.
Se o petróleo internacional permanecer em níveis elevados, o programa poderá funcionar como um amortecedor para a economia brasileira. Caso as cotações recuem de forma consistente, o governo poderá revisar ou encerrar o benefício antes do prazo previsto. Por enquanto, a expectativa do setor é de um período de maior estabilidade para o transporte rodoviário, depois de meses marcados por forte volatilidade e pressão sobre os custos do frete
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



