CTN planeja ampliar frota com 20 caminhões a biometano da Scania

Empresa projeta operar com 50% de combustível renovável e estruturar rotas verdes no Sul

Valeria Bursztein

A CTN Transportes planeja ampliar a frota com a aquisição de 20 caminhões movidos a biometano da Scania no segundo semestre. O investimento faz parte da meta de equilibrar a matriz energética e alcançar uma operação com 50% dos veículos abastecidos por combustível renovável.

A empresa já opera sete caminhões a biometano em modelo flex, que também permite abastecimento com GNV. Hoje, entre a CTN e o grupo CetricLog, são cerca de 100 caminhões próprios, além de 50 agregados.

“Vamos investir em mais 20 veículos a biometano da Scania, de diferentes faixas de potência, com capacidade para até 39 toneladas”, afirma Marcelo Dutra, CEO da CTN.

Biometano atinge custo equivalente ao diesel

A decisão de escalar o biometano está ancorada na viabilidade econômica da operação. Segundo Dutra, a empresa conseguiu equiparar o custo do frete ao do diesel, mesmo com o maior valor de aquisição dos veículos.

“A gente conseguiu chegar no mesmo valor da tabela do diesel. Hoje, operamos caminhões a biometano na mesma tabela”, diz.

Além do custo operacional, a empresa aponta ganhos técnicos. O combustível, por ser mais limpo, reduz o desgaste dos componentes do motor e pode ampliar a vida útil dos veículos.

“Um caminhão a diesel roda cerca de 1 milhão de quilômetros. Com biometano, pode chegar a 1,5 milhão ou até 1,7 milhão”, afirma o executivo.

Produção própria sustenta expansão

O avanço da operação está associado à produção de biometano dentro do próprio grupo, a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos. O modelo segue o conceito de economia circular, com transformação de resíduos industriais em combustível.

“O biometano vem do lixo. A gente coleta resíduos de proteína animal, trata e transforma em energia para abastecer os caminhões”, explica Dutra.

A produção já ocorre em Chapecó (SC) e está em expansão para outras cidades da região Sul, o que deve ampliar a disponibilidade de combustível e viabilizar novos corredores logísticos.

Rotas verdes avançam no Sul e miram o Mercosul

A CTN já opera rotas com caminhões a biometano entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, com alcance até Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

A empresa também estuda a expansão internacional da operação. “Queremos ser a primeira empresa a atravessar o Mercosul com biometano. Já existe um projeto para chegar à Argentina, dependendo da estrutura de abastecimento”, afirma Dutra.

Especializada no transporte de papel, celulose e embalagens — que representam cerca de 95% das cargas —, a companhia utiliza operações de retorno com reaproveitamento de materiais, reforçando o modelo de circularidade.

Demanda ainda é principal desafio

Apesar do avanço operacional, a empresa avalia que a adoção do biometano ainda depende do engajamento dos embarcadores. A proposta é que indústrias passem a destinar parte de suas cargas a transportadoras com frota sustentável.

“O frete também precisa ser verde. Não adianta toda a cadeia ser sustentável e, no final, o transporte não acompanhar”, diz o CEO.

Segundo ele, o país ainda não aproveita plenamente o potencial do biometano disponível. “A gente queima muito biometano por falta de uso. O que falta é conscientização das indústrias”, afirma.

Renovação da frota inclui diesel Euro 6

Paralelamente ao investimento em biometano, a CTN também renovou parte da frota com a aquisição de 25 unidades do Mercedes-Benz Actros, equipados com motorização Euro 6.

A estratégia combina a redução de emissões no curto prazo, com veículos mais eficientes, e a ampliação gradual do uso de combustíveis renováveis.

“Ser sustentável deixa de ser algo no papel. Vamos mostrar isso na operação”, afirma Dutra.

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