Investimento de R$ 300 milhões reduz tempo de navios no Açu

Modernização e uso de dados elevam eficiência operacional na Ferroport, com impacto no custo logístico da exportação de minério

Valeria Bursztein

A busca por maior eficiência e redução de custos logísticos tem impulsionado investimentos em terminais portuários no Brasil. No Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, a Ferroport destinou cerca de R$ 300 milhões nos últimos três anos à modernização de equipamentos, automação e qualificação de mão de obra, em um movimento que busca ampliar a competitividade do minério brasileiro no mercado internacional.

Responsável pela operação de embarque de minério de ferro no terminal, a companhia atingiu em 2025 a marca acumulada de 200 milhões de toneladas exportadas desde o início das operações, em 2014. A estrutura atende à mineradora Anglo American, com minério transportado por mineroduto de 529 quilômetros desde a mina em Conceição de Mato Dentro (MG) até o porto.

“Os investimentos realizados nos últimos anos têm como foco aumentar a confiabilidade da operação, reduzir o tempo de atendimento dos navios e garantir maior previsibilidade ao longo de toda a cadeia logística”, afirma Carsten Bosselmann, CEO da Ferroport.

Eficiência e gestão integrada

Os investimentos têm como foco a redução de gargalos operacionais e o aumento da previsibilidade, um dos principais desafios da logística portuária brasileira. Segundo a empresa, o terminal está entre aqueles com menor tempo médio de estadia de navios no país, indicador crítico para custos de frete e giro de embarcações.

A operação passou a integrar pátio, equipamentos e operações marítimas com base em dados, em linha com a tendência de digitalização dos terminais. Soluções desenvolvidas internamente, como o
o projeto Dockflow, permitem otimizar a programação e sequências de navios e reduzir interrupções no embarque, enquanto sistemas de inspeção com visão computacional evitam contaminações e retrabalho. O uso de drones em inspeções também contribui para aumentar a segurança e a continuidade das operações.

Foto: DIvulgação / Ferroport

Demanda crescente por granéis

O movimento ocorre em um contexto de expansão da movimentação de granéis minerais no país, que sustenta a pressão por eficiência nos terminais. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) indicam que os granéis sólidos somaram cerca de 839 milhões de toneladas em 2025, com crescimento anual, puxados principalmente pelo minério de ferro, principal carga do sistema portuário brasileiro.

Nesse cenário, o Porto do Açu tem ampliado sua relevância como polo logístico para granéis sólidos, com operação voltada ao escoamento de minério de ferro e capacidade para receber embarcações de grande porte. O complexo se consolida como alternativa aos corredores tradicionais de exportação, contribuindo para a diversificação das rotas logísticas e para o aumento da capacidade do sistema portuário nacional.

A tendência de aumento da demanda, combinada a um ritmo mais moderado de crescimento recente, tem ampliado a necessidade de ganhos operacionais, especialmente em indicadores como tempo de estadia de navios e capacidade de resposta logística.

Digitalização e competitividade

O movimento acompanha uma transformação mais ampla no setor portuário, com maior adoção de automação e ferramentas digitais para elevar a eficiência. Em um cenário de cadeias globais mais exigentes, a previsibilidade operacional ganha peso na negociação de contratos e na competitividade das exportações.

Com os avanços, a Ferroport ocupa a quarta posição entre os terminais de minério de ferro do país, reforçando o papel do Porto do Açu como alternativa logística relevante para o escoamento mineral.

Apesar dos ganhos internos, o desempenho logístico segue condicionado a fatores externos ao terminal, especialmente a qualidade dos acessos e a integração com outros modais. A dependência de infraestrutura terrestre e a necessidade de maior coordenação sistêmica ainda são apontadas como entraves recorrentes no setor.

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