A Maersk elevou pela terceira vez neste ano suas projeções para 2026, depois que a alta dos fretes impulsionou o desempenho da divisão marítima no terceiro trimestre. O lucro operacional do grupo mais do que dobrou em relação ao mesmo período de 2025, de US$ 1,3 bilhão para US$ 3,3 bilhões. A receita cresceu 27%, para US$ 18,1 bilhões.
A divisão marítima respondeu por cerca de 80% do lucro operacional do grupo. O EBIT da unidade saltou de US$ 567 milhões para US$ 2,6 bilhões. No consolidado, o EBITDA subiu de US$ 2,7 bilhões para US$ 4,7 bilhões.
Congestionamento reduz oferta
A demanda global por transporte de contêineres cresceu entre 2% e 4% em relação ao terceiro trimestre de 2025, segundo a Maersk. Ao mesmo tempo, os tufões na Ásia provocaram congestionamentos que mantiveram navios à espera e restringiram a oferta de espaço. No pico do trimestre, o tempo médio global de espera nos portos chegou a 16,6 horas, o maior desde janeiro de 2023, de acordo com o balanço.
Os fretes no mercado spot, medidos pelo Shanghai Containerised Freight Index (SCFI), subiram 46% em relação ao segundo trimestre. A taxa de ocupação dos navios da Maersk ficou em 96%. Segundo a companhia, os congestionamentos e o fechamento do Estreito de Ormuz elevaram os custos com combustível e movimentação de contêineres e afetaram a regularidade dos serviços.
Vincent Clerc, CEO da Maersk, afirmou que, além do consumo, investimentos em eletrificação, energia e infraestrutura de inteligência artificial vêm gerando fluxos de carga industrial. “Em algumas rotas, a demanda superou o espaço disponível”, disse o executivo.
Frete tem o maior peso
Uma alta ou queda de US$ 100 no frete por contêiner de 40 pés pode alterar o EBIT de 2026 em US$ 300 milhões na mesma direção, mantidas as demais premissas. Foi o maior impacto entre os cenários simulados pela Maersk. Na mesma análise, uma variação de US$ 100 por tonelada no preço do combustível marítimo teria impacto de US$ 100 milhões no EBIT, considerada a cobertura prevista pela companhia.
A Maersk passou a prever EBITDA ajustado de US$ 14 bilhões a US$ 14,5 bilhões em 2026, ante a faixa de US$ 10,5 bilhões a US$ 12,5 bilhões divulgada em agosto. A estimativa de EBIT ajustado subiu de US$ 4,5 bilhões a US$ 6,5 bilhões para US$ 8 bilhões a US$ 8,5 bilhões. A revisão considera o desempenho do terceiro trimestre e tem como premissa um crescimento de cerca de 4% no volume global de contêineres no ano.
A projeção de fluxo de caixa livre, que em agosto indicava saldo positivo, passou para mais de US$ 3 bilhões. A companhia manteve a faixa de investimentos entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões para cada um dos biênios de 2025–2026 e 2026–2027.
Logística amplia margem e terminal estreia em Suape
A divisão de Logística e Serviços registrou alta de 13% na receita, com destaque para as operações terrestres na região do Golfo e o avanço dos volumes no transporte aéreo e na logística de projetos. A margem operacional passou de 5,5% para 5,8%. Em Terminais, a receita bateu recorde e o volume movimentado cresceu 2,6%, com avanço de 14% na África e de 6,7% na Europa.
No Brasil, a APM Terminals iniciou as operações em Suape, em Pernambuco, em setembro, com a chegada do primeiro navio comercial. Segundo a Maersk, a unidade acrescenta capacidade inicial de até 400 mil TEUs por ano, o equivalente a um aumento de 55% na capacidade de movimentação de contêineres do complexo portuário.
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