Farizon lança caminhão elétrico de 3,5 toneladas no Brasil

Conforme antecipado pela Transporte Moderno, F3E chega por R$ 240 mil, com capacidade para 1,74 tonelada de carga, autonomia de até 314 km e foco em operações de distribuição urbana

Aline Feltrin

A Farizon, marca de veículos comerciais de novas energias do Grupo Geely representada no Brasil pelo Grupo Timber, iniciou a comercialização do F3E, caminhão semileve 100% elétrico de 3,5 toneladas desenvolvido para operações de distribuição urbana e logística de última milha. O lançamento confirma uma estratégia que a Transporte Moderno havia antecipado em junho, quando informou que a fabricante preparava a chegada do modelo ao mercado brasileiro entre agosto e setembro.

Com preço público sugerido de R$ 240 mil, o F3E passa a ocupar uma faixa intermediária no portfólio da Farizon, entre os veículos comerciais mais leves e o caminhão H9E, disponível nas versões de 6 e 8 toneladas. O modelo tem PBT de 3.495 kg, capacidade de carga de até 1.740 kg e pode receber implementos com volume de até 15 m³.

A chegada do semileve amplia para quatro o número de modelos oferecidos pela Farizon no Brasil. A linha inclui ainda a van V6E, a SuperVan e o H9E. A estratégia de lançamento também dá continuidade ao movimento comercial revelado pela empresa à Transporte Moderno. As primeiras 15 unidades importadas para homologação foram comercializadas e, segundo Rodrigo Pikussa, diretor executivo da Unidade de Veículos Elétricos do Grupo Timber, os lotes seguintes já estavam sendo direcionados a clientes.

A expectativa apresentada anteriormente pela empresa era alcançar um ritmo de 20 a 30 unidades embarcadas por mês. O F3E mira principalmente operações nas quais o caminhão retorna diariamente à base, como entregas de e-commerce, distribuição de mercadorias, alimentos e bebidas e serviços urbanos.

Elétrico de 3,5 toneladas

O F3E utiliza motor elétrico traseiro integrado ao e-Axle, com potência máxima de 110 kW, equivalente a cerca de 150 cv, e torque de 300 Nm. A bateria de fosfato de ferro-lítio tem capacidade de 72,84 kWh e sistema de gerenciamento térmico líquido. A autonomia estimada pela fabricante fica entre 250 e 300 quilômetros, dependendo das condições de utilização. Pelo ciclo WLTP, o alcance chega a 314 quilômetros.

A arquitetura elétrica de 400 volts permite recarga rápida em corrente contínua de até 100 kW, utilizando o padrão CCS2. Em corrente alternada, o caminhão aceita carregamento trifásico de até 11 kW. O modelo tem dois modos de condução. No Eco, a velocidade máxima é limitada a 80 km/h. No Normal, chega a 90 km/h.

A configuração foi pensada para operações urbanas, justamente um dos segmentos em que a Farizon vê maior potencial para a eletrificação. Em entrevista concedida anteriormente à AgênciaTransporte Moderno, Pikussa afirmou que veículos de e-commerce em São Paulo percorrem, em média, cerca de 100 a 110 quilômetros por dia, distância que, segundo ele, está dentro da autonomia oferecida pelos caminhões elétricos dessa categoria.

E-commerce no radar

O comércio eletrônico está entre os principais mercados que a Farizon pretende atingir com o F3E. A empresa considera que o perfil de utilização do setor, com rotas urbanas e retorno dos veículos para as bases, favorece a adoção da propulsão elétrica.

O Mercado Livre foi citado por Pikussa como um dos potenciais clientes para o modelo. A estratégia, porém, não se limita aos grandes operadores. A fabricante também pretende explorar o mercado de locação, considerado importante para a expansão dos veículos comerciais elétricos no país.

Segundo o executivo, cerca de 70% dos emplacamentos de veículos comerciais elétricos no Brasil são realizados por meio de locadoras. O modelo de aluguel pode reduzir o risco para empresas que ainda estão avaliando a eletrificação, especialmente diante das dúvidas sobre valor residual, manutenção e desempenho dos veículos ao longo da operação.

A Farizon também pretende apoiar os clientes na estruturação das operações, incluindo a escolha do veículo, configurações e infraestrutura de recarga.

Foco no custo da operação

O posicionamento do F3E não está baseado apenas na ausência de emissões. A estratégia da Farizon é aproximar o custo de aquisição do caminhão elétrico ao de um veículo a diesel equivalente e, com isso, ampliar o mercado potencial para além das empresas que já possuem metas ambientais.

Na avaliação da empresa, a redução da diferença de preço entre veículos elétricos e modelos a combustão será determinante para acelerar a eletrificação. Pikussa afirmou à Transporte Moderno que, com o aumento da escala e a redução dos custos das baterias, os veículos comerciais elétricos poderão atingir a paridade de preço com os modelos a combustão nos próximos anos.

O executivo também avalia que a autonomia deixará de ser um dos principais obstáculos para aplicações urbanas. O desafio aparece principalmente em operações que exigem deslocamentos entre municípios, o que tende a levar as empresas a especializar os veículos de acordo com as rotas.

Mais tecnologia para os implementos

Além da propulsão elétrica, o F3E foi desenvolvido para receber diferentes tipos de implementos. Uma das possibilidades é a instalação de uma saída de alta tensão de 10 kW para alimentar equipamentos auxiliares, como sistemas de refrigeração. O caminhão também conta com função V2L (Vehicle to Load), que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos, com potência de até 3,3 kW.

Na segurança, o modelo traz de série frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, alerta de saída involuntária de faixa, controle eletrônico de estabilidade, frenagem eletro-hidráulica, freio de estacionamento eletrônico e monitoramento da pressão dos pneus.

A lista inclui ainda airbags para motorista e passageiro, sensores traseiros de estacionamento e câmera de ré HD. A cabine tem painel LCD de 7 polegadas e central multimídia de 12,3 polegadas, com Apple CarPlay e Android Auto. O pacote inclui Bluetooth, entradas USB-A e USB-C, tomada de 12 V, ar-condicionado, aquecimento do volante e acesso e partida sem chave.

Farizon amplia presença no Brasil

Com o F3E, a Farizon passa a atuar em uma faixa mais ampla do mercado brasileiro de veículos comerciais elétricos. A V6E, responsável por aproximadamente 80% das vendas da marca no primeiro semestre, atende operações mais leves, enquanto a SuperVan amplia as possibilidades de configuração. Já o H9E é destinado a aplicações que demandam maior capacidade de carga.

A expansão acontece em um mercado de eletrificação que ainda representa uma parcela pequena das vendas de comerciais, mas vem crescendo. No primeiro semestre de 2026, os emplacamentos de comerciais leves totalmente elétricos aumentaram 41% na comparação com o mesmo período de 2025. A Farizon alcançou 28% de participação e assumiu a liderança do segmento.

A empresa também afirma ter alcançado recentemente a marca de 600 mil veículos comerciais de novas energias produzidos globalmente desde sua criação, em 2016.

No Brasil, o próximo movimento deverá envolver veículos de maior porte. Como a Transporte Moderno também antecipou, a Farizon avalia projetos de caminhões médios para aplicações específicas, incluindo limpeza urbana, com possibilidade de avanço a partir de 2027.

A estratégia é ampliar gradualmente a gama de produtos, adaptando os veículos às características do transporte brasileiro. Isso inclui configurações específicas de entre-eixos, eixos e implementos, em vez de simplesmente reproduzir no país a linha disponível no mercado chinês.

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