A Farizon começou a receber no Brasil um novo lote do caminhão elétrico semileve de 3,5 toneladas. O modelo, destinado principalmente às operações de distribuição urbana e comércio eletrônico, chega ao mercado com a proposta de ter preço próximo ao de um caminhão a diesel equivalente. A novidade dá sequência a uma estratégia que a Agência Transporte Moderno já havia antecipado. Em reportagem publicada em 29 de junho, a publicação informou que a Farizon preparava o lançamento do caminhão semileve entre agosto e setembro, em uma nova fase de expansão da marca no Brasil. Leia a reportagem anterior da Transporte Moderno
O novo lote amplia a oferta do modelo depois que as primeiras 15 unidades importadas para o processo de homologação foram totalmente comercializadas. Em entrevista ao Videocast Transporte Moderno, Rodrigo Pikussa, diretor de veículos elétricos da Farizon, afirmou que as unidades seguintes já estavam destinadas e encomendadas pelos clientes.
Segundo o executivo, a fabricante pretende estabelecer um ritmo de 20 a 30 unidades embarcadas por mês. A previsão não significa que todos os veículos já estejam vendidos, mas representa o ritmo que a empresa espera alcançar para os próximos lotes.
Com um preço próximo ao de um modelo a diesel equivalente a diesel, a estratégia é disputar não apenas o mercado de caminhões elétricos, mas também conquistar operadores que hoje utilizam veículos convencionais. Para a fabricante, a sustentabilidade, sozinha, não é suficiente para acelerar a eletrificação: a conta financeira da operação precisa fazer sentido.
Na avaliação do executivo, a tendência é que a diferença de preço entre veículos elétricos e modelos a combustão diminua com o aumento da escala, da adoção e da redução dos custos das baterias. Pikussa estima que, em até cinco anos, veículos comerciais elétricos poderão atingir paridade de preço ou até ficar mais baratos que equivalentes a combustão.
E-commerce é principal aposta
O comércio eletrônico está entre os principais mercados-alvo do semileve. Segundo Pikussa, boa parte das unidades que estão chegando ao país deve ser destinada a esse segmento. O Mercado Livre aparece como um dos principais potenciais clientes. “Deve seguir para o Mercado Livre”, afirmou o executivo durante a entrevista. Segundo ele, a empresa é um dos grandes frotistas do segmento e tem metas relevantes de eletrificação.
A Farizon considera que o caminhão é especialmente adequado para operações de última milha, nas quais os veículos percorrem distâncias relativamente curtas e retornam diariamente para suas bases.
A autonomia é outro ponto usado pela fabricante para defender a viabilidade do modelo. Segundo Pikussa, um veículo de e-commerce em São Paulo percorre, em média, entre 100 e 110 quilômetros por dia.
Já os veículos elétricos destinados a essa faixa de operação apresentam autonomias na ordem de 200 a 250 quilômetros. Dessa forma, na avaliação da Farizon, a autonomia já não representa um grande obstáculo para caminhões que trabalham dentro das cidades.
A limitação aparece principalmente quando o veículo precisa fazer deslocamentos entre municípios. Por isso, a empresa prevê uma maior especialização das frotas, com veículos elétricos destinados a determinadas rotas e aplicações urbanas, em vez de um único caminhão atender indiscriminadamente a todas as operações.
Locadoras ganham espaço
As locadoras também são parte importante da estratégia comercial da Farizon. Segundo Pikussa, cerca de 70% dos emplacamentos de veículos comerciais elétricos no Brasil são realizados por meio de locadoras. A empresa vê nesse modelo uma forma de reduzir os riscos para empresas que estão começando a eletrificar suas frotas, principalmente em relação ao valor de revenda e à performance dos veículos.
A Farizon pretende trabalhar com diferentes locadoras e participar também da estruturação das operações. O suporte pode envolver desde a seleção do veículo e eventuais configurações específicas até a infraestrutura de recarga.
Pós-venda: atendimento móvel
A fabricante também estruturou uma estratégia de atendimento móvel. Em São Paulo, região que concentra uma parcela importante dos veículos, a Farizon utiliza uma unidade móvel para realizar manutenções leves e revisões preventivas diretamente na base dos clientes.
A ideia é evitar que o caminhão precise deixar a operação para realizar serviços de manutenção. O atendimento pode ocorrer no final do dia, permitindo que o veículo esteja novamente disponível para trabalhar no dia seguinte.
A empresa também desenvolve uma rede de oficinas autorizadas. O conceito, segundo Pikussa, é levar o serviço ao veículo, e não o veículo ao serviço, especialmente em operações de distribuição urbana nas quais o tempo de disponibilidade da frota é fundamental.
A chegada do caminhão de 3,5 toneladas amplia a atuação da Farizon no Brasil. A marca iniciou sua operação com dois modelos de vans e o caminhão H9E, oferecido nas versões de seis e oito toneladas.
O novo semileve faz parte de uma estratégia de expansão gradual do portfólio. Na China, a Farizon possui uma linha muito mais ampla, que inclui microcaminhões, semileves, leves, médios, veículos vocacionais e pesados.
A fabricante também desenvolveu na China uma tecnologia híbrida que utiliza metanol sintético. O combustível pode funcionar como extensor de autonomia para caminhões elétricos. A Farizon avalia inclusive a possibilidade de estudar uma adaptação da tecnologia para o etanol no Brasil, mas a discussão ainda está em estágio inicial.
Próximo passo será o caminhão médio
A Farizon já trabalha na próxima etapa de expansão do portfólio brasileiro. A empresa discute com a operação chinesa projetos de caminhões médios para aplicações específicas, entre elas a limpeza urbana. A expectativa é que esses projetos avancem a partir de 2027.
A estratégia, segundo Pikussa, não é simplesmente trazer para o Brasil produtos que já existem na China. A empresa busca identificar as necessidades dos operadores brasileiros e adaptar a oferta às características locais, incluindo diferentes configurações e aplicações.
Um dos desafios é justamente a maior customização dos caminhões no Brasil. Enquanto o mercado chinês trabalha com produtos mais padronizados, os operadores brasileiros costumam demandar alterações como alongamento de entre-eixos, inclusão de eixos e diferentes implementações.
Com a chegada do novo lote, a Farizon começa a transformar em escala comercial a estratégia que havia anunciado para o semileve. O plano é ampliar gradualmente os embarques, atingir um ritmo de 20 a 30 unidades por mês e concentrar o modelo em operações nas quais o custo total de propriedade e a adequação à rotina urbana possam acelerar a substituição de caminhões a combustão por elétricos.
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