A demanda global por transporte aéreo de cargas cresceu 3,9% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, acima da expansão de 1,7% da capacidade oferecida pelas companhias aéreas. Nas operações internacionais, a alta chegou a 4,7%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Com a demanda crescendo acima da oferta, o fator de ocupação mundial aumentou um ponto percentual e atingiu 46%. O indicador mede a proporção da capacidade efetivamente utilizada no transporte de cargas.
Os cargueiros dedicados ganharam participação de mercado no período, enquanto o transporte nos porões de aeronaves de passageiros recuou. Para a IATA, o movimento pode estar relacionado ao aumento das remessas maiores ou especializadas e à maior flexibilidade operacional oferecida por esse tipo de aeronave.
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Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte responderam, juntas, por mais de 90% do crescimento da demanda mundial em julho. As transportadoras norte-americanas apresentaram o melhor desempenho regional, com alta de 4,8%, apesar da redução de 1,5% da capacidade. O fator de ocupação na região subiu 2,5 pontos percentuais, para 41,2%.
Na Europa, a demanda avançou 4,4%, ante crescimento de 1,3% da oferta. A região registrou o maior nível de ocupação do mercado mundial, de 51,1%. Na Ásia-Pacífico, responsável por 35,8% da carga aérea global, a movimentação cresceu 4,1%, enquanto a capacidade aumentou 3%.
América Latina amplia oferta
As companhias aéreas da América Latina e do Caribe também registraram crescimento de 4,1% na demanda em julho. A capacidade, entretanto, aumentou 7%, ritmo superior ao da procura.
Como resultado, o fator de ocupação recuou 0,9 ponto percentual, para 32,3%, o menor entre todas as regiões analisadas pela IATA. América Latina e Caribe representam 2,9% do mercado mundial de carga aérea.
No Oriente Médio, a demanda cresceu 1,7% e a capacidade avançou 4%. O desempenho das rotas ligadas ao Golfo continuou prejudicado pelo conflito na região. O corredor Europa–Oriente Médio apresentou retração de 16,1%, enquanto Oriente Médio–Ásia recuou 14,1%.
Em sentido contrário, a rota Ásia–América do Norte, responsável por 23,5% do mercado, cresceu 9,2% e completou seis meses consecutivos de expansão. O tráfego dentro da Ásia avançou 6,1%, enquanto o corredor Europa–Ásia registrou alta de 3,1% e alcançou 41 meses seguidos de crescimento.
Combustível fica 56,9% mais caro
O desempenho positivo da carga aérea ocorreu em um ambiente de expansão de 7,5% do comércio mundial e de melhora dos pedidos de exportação. O índice global de novos pedidos de exportação subiu para 50 pontos, enquanto o indicador de produção industrial permaneceu em terreno de crescimento, aos 52,7 pontos.
A elevação dos custos, no entanto, representa um risco para o setor. O preço do combustível de aviação aumentou 12,2% em julho frente a junho e ficou 56,9% acima do registrado um ano antes.
“As perspectivas permanecem amplamente positivas, apoiadas pela atividade manufatureira, pelos pedidos de exportação e pelo comércio global. No entanto, os preços mais altos dos combustíveis, as tensões geopolíticas e a incerteza tarifária precisarão ser monitorados de perto”, afirmou Marie Owens Thomsen, economista-chefe da IATA.
Os dados são medidos em toneladas-quilômetro de carga, indicador que considera tanto o peso transportado quanto a distância percorrida.
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