O free flow eliminou as cancelas e permitiu que veículos passassem pelos pedágios sem parar. Mas a nova tecnologia trouxe outro desafio: como garantir que motoristas e empresas saibam, de forma simples, onde houve uma cobrança e como realizar o pagamento. É nesse ponto que entra a integração do sistema à CNH do Brasil, que entrou em operação na última segunda-feira (24). A nova funcionalidade passa a dar mais visibilidade às passagens registradas nas rodovias atendidas pelas concessionárias integradas e indica ao usuário o canal para pagamento.
Para Cleber Chinelato, diretor da Pedágio Digital, plataforma de consulta e pagamento de tarifas de free flow, a dificuldade de informar os motoristas sobre o funcionamento da cobrança ainda é um dos principais pontos de atrito do modelo.
“A evolução do free flow vai além dos pórticos. A tecnologia de identificação das passagens já está consolidada. O desafio está na jornada mais simples depois da passagem, que envolve informar, facilitar o pagamento e dar segurança ao motorista.”
Segundo ele, concentrar essas informações em um aplicativo que já faz parte da rotina dos condutores pode dar mais transparência e previsibilidade ao sistema. A Pedágio Digital reúne consulta e pagamento das tarifas de 27 concessionárias, entre elas Motiva, EcoRodovias, Concessionária Novo Litoral (CNL) e Tamoios.
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CNH informa; plataforma concentra o pagamento
Na prática, as passagens identificadas pelas concessionárias parceiras da Pedágio Digital também passam a ser disponibilizadas no aplicativo CNH do Brasil, que indica ao motorista o canal para pagamento e permite o recebimento de notificações.
A CNH do Brasil funciona como um novo ambiente de consulta. O pagamento, porém, continua sendo realizado pelo canal indicado pela concessionária responsável pela cobrança. Nas operações atendidas pela Pedágio Digital, a concessionária também disponibiliza as informações à plataforma, que permite ao motorista consultar e quitar seus débitos de forma centralizada.
Segundo Chinelato, as tarifas podem ser pagas em até 30 dias após a passagem, sem cobrança de mensalidade ou custo adicional. As duas ferramentas têm funções complementares: enquanto a CNH do Brasil amplia o acesso à informação sobre as passagens, a Pedágio Digital reúne a consulta e a liquidação dos débitos das concessionárias atendidas pela plataforma.
O pagamento deve ser feito exclusivamente pelos canais oficiais. A Pedágio Digital alerta que não envia links de cobrança por SMS, WhatsApp ou e-mail. A integração ocorre também durante o período de transição definido pelo Contran para a regularização de tarifas em aberto, que termina em 16 de novembro de 2026. A orientação da Pedágio Digital é que os motoristas consultem e regularizem eventuais débitos antes do fim do prazo. A data também foi confirmada nas informações divulgadas sobre a nova integração.
O impacto para o transporte de cargas
Para o transporte rodoviário de cargas, a expansão do free flow pode representar mais do que o fim das paradas nas praças de pedágio. A possibilidade de manter os veículos em movimento reduz filas, desacelerações e retomadas e pode trazer mais previsibilidade para uma operação em que tempo de viagem, consumo de combustível e utilização dos veículos afetam diretamente os custos.
“Reduzir paradas, filas, desacelerações e retomadas significa tornar a operação mais previsível”, afirma Chinelato. Para os frotistas, o efeito esperado é a redução do tempo de deslocamento, melhor aproveitamento dos veículos e maior previsibilidade no cumprimento dos prazos de entrega.
Existe ainda um ganho de gestão. À medida que a cobrança se torna digital e integrada, as empresas podem ter mais visibilidade sobre as passagens e os custos de cada operação, facilitando a conciliação e o planejamento das viagens.
Para transportadoras que operam com grandes volumes e diferentes rotas, transformar o pedágio de uma etapa operacional fragmentada em uma jornada digital mais fluida e rastreável também pode contribuir para uma gestão mais eficiente da frota.
O desafio agora é integrar
Para Chinelato, os obstáculos para a expansão do free flow no Brasil são hoje mais estruturais do que tecnológicos. O sistema já está em operação e a identificação das passagens é uma tecnologia consolidada. A ampliação em escala nacional, porém, exige uma evolução coordenada entre concessionárias, órgãos reguladores, canais de pagamento e os demais agentes envolvidos.
Isso passa por oferecer uma jornada completa ao motorista, unindo segurança viária, tecnologia de identificação das passagens, pagamento facilitado e atendimento ao cliente.
“A compreensão do modelo passa pela consolidação de um ecossistema cada vez mais integrado e tecnológico, com regras e processos capazes de acompanhar a expansão para diferentes rodovias e perfis de operação”, afirma o executivo. Segundo Chinelato, esse amadurecimento conjunto permitirá que o free flow avance de forma consistente, preservando a eficiência operacional e uma experiência mais uniforme para o usuário.
Free flow também muda a gestão da rodovia
A mudança não se limita à cobrança. O registro digital das passagens permite às concessionárias acompanhar de forma mais próxima as viagens realizadas nos trechos sob sua responsabilidade.
Os dados podem contribuir para o planejamento das estruturas das rodovias, para a gestão da arrecadação e para a evolução dos serviços oferecidos aos usuários. Para o setor, a digitalização também amplia a rastreabilidade da operação, desde o registro da passagem até o pagamento ou a regularização de uma pendência. Isso pode facilitar a conciliação e dar às concessionárias mais ferramentas para atuar na recuperação de receitas.
A tecnologia também abre espaço para o uso de inteligência artificial na gestão da cobrança, incluindo a conciliação de grandes volumes de passagens, a identificação de inconsistências e a prevenção a fraudes.
Pedágio Digital amplia atuação
A Pedágio Digital pretende ampliar a integração entre concessionárias e facilitar a experiência de motoristas e frotistas que circulam por diferentes rodovias.
Atualmente, as concessionárias parceiras — Motiva, EcoRodovias, CNL e Tamoios — operam em 11 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Espírito Santo e Bahia.
Segundo Chinelato, 95% dos pórticos em operação em São Paulo já utilizam a Pedágio Digital. O movimento agora é levar essa lógica de integração para outras operações no país, ampliando a interoperabilidade entre concessionárias e aprimorando a gestão da cobrança, a recuperação de receita e a experiência de pagamento.
Para o setor, a agenda inclui evolução tecnológica, maior integração entre os diferentes agentes e amadurecimento da experiência do usuário. O free flow já representa uma mudança na forma de utilizar as rodovias. O próximo estágio é fazer com que a nova lógica de cobrança seja tão natural para o motorista quanto outros serviços digitais utilizados no dia a dia.
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