Ford monitora 5 mil veículos para evitar paradas

Projeto piloto acompanha 40 frotas em cinco países e usa dados conectados para antecipar manutenção e programar reparos

Valeria Bursztein

A Ford está testando na América do Sul um sistema de monitoramento remoto que acompanha quase 5 mil veículos de 40 frotas para identificar necessidades de manutenção e alertar os gestores antes que uma falha provoque a parada da unidade. O projeto piloto já opera no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru e pode dar origem a um novo serviço da montadora voltado ao mercado de frotas.

A iniciativa utiliza os dados gerados pelos veículos conectados da Ford para acompanhar indicadores de manutenção e alertas de funcionamento. O objetivo é transformar essas informações em ações práticas para o frotista, como antecipar uma revisão ou programar a troca de um componente.

“Começamos com cinco frotas, hoje estamos com 40 frotas, mais ou menos 5 mil veículos sendo monitorados na América do Sul”, afirmou Leandro Borsari, responsável pela Engenharia de Serviço da Ford para a América do Sul.

Segundo o executivo, 100% do portfólio atual da Ford é conectado, assim como todos os veículos da divisão Ford Pro. A empresa agora busca entender como utilizar os dados disponíveis para antecipar intervenções e reduzir o risco de imobilização das frotas.

Alerta chega antes da parada

Um dos problemas identificados durante o piloto é a distância entre o gestor e os veículos sob sua responsabilidade. Segundo Borsari, em operações com veículos distribuídos por diferentes cidades ou estados, o gestor da frota nem sempre toma conhecimento imediatamente de um alerta exibido no painel. Com o monitoramento remoto, a Ford consegue identificar a ocorrência e avisar o responsável antes que o problema resulte na imobilização do veículo.

Na central de monitoramento, a equipe acompanha, entre outros indicadores, a vida útil do óleo. Quando o índice cai abaixo de determinado patamar — no piloto, o alerta começa quando chega a menos de 20% —, o gestor é informado de que deve programar a revisão ou manutenção preventiva.

A operação também acompanha alertas de mau funcionamento e outros parâmetros disponibilizados pelos veículos. A ideia é identificar quais informações efetivamente ajudam o gestor a tomar decisões, em vez de simplesmente entregar um grande volume de dados. “Estamos trabalhando para entender que dados são úteis para cada gestor de frota”, disse Borsari.

Pastilha de freio vira parada programada

Um exemplo apresentado pela Ford envolve a Transit. Quando o sistema identifica que a pastilha de freio chegou ao limite de desgaste, a central recebe o alerta e entra em contato com o responsável pela frota.

“Recebemos o alerta de que determinada unidade chegou ao limite de desgaste da pastilha e conseguimos ajudar o gestor, inclusive, a agendar uma parada programada na concessionária”, explicou Borsari.

Na operação mostrada durante a visita ao Ford Academy, quatro veículos de uma das frotas monitoradas haviam atingido naquela semana o nível previsto para substituição das pastilhas. A equipe já estava em contato com o cliente para identificar a concessionária mais próxima, verificar a disponibilidade das peças e organizar a parada dos veículos.

A lógica é trocar uma possível imobilização inesperada por uma intervenção planejada, reduzindo o tempo em que o veículo fica indisponível para a operação.

O piloto envolve perfis bastante diferentes de uso. Há desde vans de turismo e veículos de entrega até Rangers utilizadas em mineração e policiamento. Segundo Borsari, essas aplicações permitem à Ford avaliar o sistema também em condições severas de utilização. Na Argentina, por exemplo, o projeto acompanha Rangers utilizadas como viaturas policiais.

Concessionária recebe diagnóstico conectado

O monitoramento não significa que todas as concessionárias tenham acesso permanente aos dados de todas as frotas. Borsari explica que há limitações relacionadas à confidencialidade das informações e ao fato de a Ford não saber antecipadamente em qual concessionária cada veículo será atendido.

Quando uma intervenção é necessária, a equipe de monitoramento entra em contato com o cliente e, quando aplicável, com a concessionária.

Ao chegar à oficina, porém, o veículo conectado permite outra mudança no processo. A concessionária pode inserir o chassi no sistema de diagnóstico e acessar remotamente as informações do veículo, sem depender inicialmente da conexão física de um equipamento para obter esses dados.

A estrutura de suporte instalada no Ford Academy reúne a equipe que atende as concessionárias, engenheiros responsáveis pela análise dos diagnósticos e o time de monitoramento remoto. Segundo a Ford, manter esses profissionais no mesmo ambiente permite acelerar a troca de informações e a solução dos problemas.

Modelo comercial ainda será definido

Apesar da escala já alcançada, o monitoramento ainda não é comercializado pela Ford. Os 40 frotistas participam como parceiros do projeto piloto, sem cobrança pelo serviço. A empresa está utilizando essa etapa para avaliar quais dados têm maior valor para diferentes tipos de operação, como deve ser feita a comunicação com os gestores e qual será o formato de uma eventual oferta comercial.

“É um piloto e estamos testando os mais diversos tipos de frota”, afirmou Borsari. A proposta, segundo ele, é aprender junto com os clientes “que dados servem para eles” e de que forma essas informações podem ser utilizadas para antecipar reparos.

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