O mercado brasileiro de caminhões usados manteve a trajetória de recuperação em agosto. Foram negociadas 41.737 unidades no mês, alta de 0,6% em relação às 41.499 transferências registradas em julho, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).
Na comparação com agosto de 2025, quando foram vendidos 40.254 caminhões, o crescimento foi de 3,7%, equivalente a 1.483 unidades adicionais. O resultado reforça a recuperação do segmento depois de um início de ano marcado por oscilações e por um desempenho mais fraco na comparação anual.
No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, foram comercializados 294.809 caminhões usados, alta de 3,9% — arredondada para 4% — sobre as 283.809 unidades negociadas no mesmo período do ano passado.
O desempenho de agosto representa uma mudança relevante em relação a julho. No mês anterior, embora as vendas tivessem avançado 9,7% sobre junho, o mercado ainda registrava queda de 3,3% frente a julho de 2025. Agora, além de manter o crescimento mensal, o segmento voltou a operar acima do volume registrado um ano antes.
A recuperação ocorre em um mercado no qual o veículo usado continua desempenhando papel importante na renovação e ampliação de frotas, especialmente entre transportadores e autônomos que enfrentam custos elevados para a aquisição de caminhões novos.
Recuperação após um ano de oscilações
A trajetória de 2026 tem sido irregular. O mercado começou o ano com retração, reagiu nos primeiros meses e chegou a apresentar crescimento expressivo em março. Em abril, voltou a perder força, pressionado pelas condições de crédito e pela cautela dos transportadores, antes de retomar o crescimento em maio, julho e agosto.
Análises anteriores da Fenauto indicavam que o mercado de usados vinha sendo influenciado por dois movimentos simultâneos. De um lado, programas de estímulo à renovação de frota e melhores condições de financiamento para veículos novos aumentam a oferta de caminhões usados no mercado. De outro, o custo de aquisição de modelos zero-quilômetro e as restrições de crédito preservam a demanda por veículos de segunda mão.
Os dados de financiamento ajudam a explicar parte dessa dinâmica. De janeiro a julho, o crédito para caminhões usados cresceu 10,6%, ritmo superior à expansão de 4,9% registrada nos veículos novos, segundo levantamento da B3 divulgado anteriormente pela Agência Transporte Moderno. O avanço mostra que o mercado secundário continua sendo uma alternativa relevante para a aquisição de ativos em um ambiente ainda marcado por juros elevados.
Volvo FH lidera ranking
Entre os modelos mais procurados no mercado de usados em agosto, o Volvo FH manteve a liderança, com 3.039 unidades negociadas. O modelo é seguido pelo Ford Cargo, com 2.465 transferências, e pelo Mercedes-Benz Atego, com 1.584 unidades.
A liderança do FH e do Cargo confirma um padrão que vem se repetindo no mercado de segunda mão. Os dois modelos estão entre os mais negociados há vários meses, beneficiados pela ampla presença na frota brasileira e pela maior liquidez no mercado de revenda.
O ranking também revela a força dos modelos tradicionais. Embora o mercado de caminhões novos passe por uma renovação tecnológica, com maior presença de veículos conectados e novas tecnologias de motorização, o mercado secundário ainda é fortemente sustentado por produtos com grande base circulante e ampla disponibilidade de manutenção e peças.
Mercado geral desacelera em agosto
O comportamento dos caminhões contrasta com o desempenho do mercado brasileiro de veículos usados como um todo. Considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas, foram transferidas 1,699 milhão de unidades em agosto, queda de 3,1% em relação às 1,755 milhão registradas em julho.
Na comparação com agosto de 2025, o mercado geral apresentou retração nominal de 1,2%. No acumulado do ano, porém, o setor mantém crescimento de 6,4%, com 12,53 milhões de veículos negociados entre janeiro e agosto, ante 11,78 milhões no mesmo período do ano passado.
A desaceleração de agosto atingiu todas as faixas de idade dos veículos. Os dados, porém, mostram diferenças importantes no comportamento da demanda.
Os veículos com 13 anos ou mais foram a única categoria a apresentar crescimento expressivo na comparação anual, de 6,7%, e respondem por 41,3% de todas as transferências realizadas no mês. Os usados jovens, entre quatro e oito anos, ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,1%.
Já os seminovos, com até três anos de uso, registraram queda de 9,4% em relação a agosto do ano passado, enquanto os veículos entre nove e 12 anos tiveram retração de 10,8%.
No acumulado do ano, contudo, os seminovos lideram o crescimento, com alta de 13,5%, seguidos pelos veículos com mais de 13 anos, que avançaram 11%. Os usados entre quatro e oito anos cresceram 5,6%, enquanto a faixa de nove a 12 anos foi a única a apresentar queda no período, de 8,5%.
O retrato do mercado geral ajuda a contextualizar o desempenho dos caminhões. Enquanto o conjunto dos veículos usados passou por uma acomodação em agosto, o segmento de pesados conseguiu avançar tanto na comparação mensal quanto anual.
Para o mercado de caminhões, o resultado reforça a recuperação observada nos últimos meses. O crescimento acumulado ainda é moderado, de 4%, mas a volta da comparação anual positiva em agosto indica que o segmento recuperou parte do terreno perdido no início de 2026.
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