O operador logístico Tecadi encerrou o primeiro semestre com crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado e projeta fechar 2026 com expansão próxima de 30%, impulsionado pela ampliação das importações, pela abertura de novas unidades e pelo aumento da demanda por armazenagem e serviços ligados ao comércio exterior.
Para sustentar esse ritmo, a companhia acelerou investimentos em infraestrutura logística e armazenagem, após aplicar mais de R$ 30 milhões em transporte, tecnologia e expansão operacional ao longo de 2025.
Segundo Rafael Dagnoni, fundador e COO do Tecadi, a prioridade neste momento é ampliar a capacidade física da operação. “Neste ano, optamos por priorizar a expansão da infraestrutura de armazenagem e operações. Uma nova unidade representa investimentos milionários e exige um esforço importante de capital”, afirmou durante entrevista ao Videocast Transporte Moderno.
A estratégia inclui a inauguração, ainda neste ano, de um novo armazém com mais de 60 mil metros quadrados, além da expansão das áreas de pátio e da aquisição de equipamentos para movimentação de contêineres.
Importações puxam expansão
Parte importante dos investimentos recentes foi destinada à ampliação da capacidade necessária para atender o crescimento das importações conteinerizadas e das operações automotivas.
Segundo Dagnoni, o Tecadi adicionou mais de 100 mil metros quadrados de áreas de pátio em seus terminais retroportuários e reforçou os investimentos em equipamentos de movimentação para absorver os picos operacionais. A movimentação de veículos importados, especialmente de fabricantes chineses, está entre os fatores que aceleraram essa expansão.
“O desafio não está apenas no volume, mas na concentração das operações em poucos dias. Muitas vezes montamos verdadeiras operações de guerra para retirar rapidamente centenas de contêineres do porto, realizar as desovas e devolver os equipamentos dentro dos prazos acordados com os armadores”, afirmou.
Segundo o executivo, o aumento das importações de veículos já começa a pressionar inclusive a capacidade dos navios especializados do tipo roll-on/roll-off (Ro-Ro), levando parte das montadoras a recorrer ao transporte conteinerizado.
China ganha peso na operação
A China permanece como principal origem das cargas movimentadas pelo operador e representa hoje a maior parcela dos clientes internacionais atendidos pela companhia no Brasil. De acordo com Dagnoni, a expansão das multinacionais chinesas no mercado brasileiro deverá continuar sustentando a demanda por armazenagem, transporte e serviços retroportuários nos próximos anos, especialmente nos segmentos de bens de consumo, componentes automotivos e veículos.
Em 2025, os portos catarinenses movimentaram aproximadamente 2,8 milhões de TEUs, equivalente a cerca de 28% da movimentação conteinerizada do comércio exterior brasileiro, segundo dados citados pelo executivo.
Gargalo migra para as rodovias
Apesar da expansão da atividade portuária, Dagnoni avalia que os terminais deixaram de ser o principal entrave da logística catarinense. “O porto deixou de ser o gargalo. O problema começa quando a carga precisa chegar ao porto ou sair dele”, afirmou.
Segundo ele, os investimentos privados realizados nas últimas duas décadas elevaram os níveis de eficiência dos portos catarinenses a padrões internacionais, enquanto os acessos rodoviários não acompanharam esse movimento. Na avaliação do executivo, a BR-101 e os acessos aos terminais se transformaram no principal limitador operacional da região.
Para reduzir os impactos, o TECADI distribuiu suas operações em quatro unidades em Santa Catarina e ampliou o uso de bitrens e rodotrens, estratégia que permitiu elevar a produtividade e reduzir custos logísticos.
Atualmente, a empresa opera cerca de 60 equipamentos próprios, aproximadamente 100 veículos agregados e uma base de cerca de 5 mil caminhões homologados. Para Dagnoni, o ambiente para investimentos em logística continua favorável, mas a expansão da infraestrutura pública será decisiva para sustentar o crescimento do comércio exterior brasileiro. “Se o Brasil crescer de forma consistente acima de 3% ao ano, vários desses gargalos voltarão a aparecer rapidamente”, afirmou.
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