O crescimento do mercado brasileiro de dispositivos médicos e o aumento da demanda por cirurgias de alta complexidade estão impulsionando investimentos em logística especializada. De olho nesse movimento, a Jamef destinou mais de R$ 10 milhões à expansão de sua vertical Hospitalar e projeta crescimento de até 300% nos próximos dois anos, apostando em operações que exigem rastreabilidade, controle ambiental e resposta rápida a procedimentos críticos.
O investimento consolida a logística hospitalar como uma das novas frentes de crescimento da companhia. Do total aplicado, cerca de R$ 1,5 milhão foi destinado à implantação da unidade de Campinas (SP), enquanto outros R$ 8,5 milhões financiaram a ampliação da estrutura da vertical, incluindo contratação e capacitação de equipes, desenvolvimento de processos e incorporação de tecnologias, entre elas soluções de inteligência artificial voltadas ao monitoramento e à gestão das operações.
Segundo Michel Goya, head da Jamef Hospitalar, a meta de crescimento de até 300% considera os resultados obtidos no primeiro semestre de 2026, período em que a operação começou a ganhar escala. Embora a vertical ainda represente uma parcela reduzida do faturamento da companhia, a expectativa é ampliar sua participação nos próximos anos.
A estratégia combina a conquista de novos contratos com a ampliação da oferta de serviços para clientes já atendidos pela Jamef Transportes. A ideia é aproveitar a estrutura nacional da empresa para oferecer soluções especializadas de logística hospitalar a fabricantes, distribuidores e importadores de dispositivos médicos que já utilizam outros serviços da transportadora.
A decisão de acelerar os investimentos acompanha a expansão do mercado. Dados da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS) mostram que o setor de dispositivos médicos cresceu 7% em 2025 e avançou outros 4,8% no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pela recuperação das cirurgias eletivas, pelo aumento do consumo de tecnologias médicas e pela ampliação da rede de atendimento.
“A logística hospitalar deixou de ser apenas uma etapa do transporte e passou a integrar a continuidade do cuidado e da eficiência assistencial. Esse movimento, aliado ao crescimento do mercado de dispositivos médicos, reforçou nossa decisão de ampliar os investimentos na vertical”, afirma Goya.
Cargas críticas
A nova unidade de Campinas foi estruturada para atender a Endocardio Medical, distribuidora de dispositivos cardiovasculares, e já presta suporte regular a mais de 40 hospitais localizados nas regiões de Campinas, Ribeirão Preto, Barretos e municípios vizinhos.
A operação administra cerca de 1.000 SKUs destinados a procedimentos de alta complexidade, entre eles marcapassos, desfibriladores cardíacos, implantes e instrumentais cirúrgicos. Atualmente, dá suporte a mais de 20 cirurgias e mantém estrutura preparada para realizar entregas de urgência em até duas horas, com índice de assertividade de 99,98%.
Segundo a empresa, a disponibilidade imediata desses materiais é determinante para evitar o adiamento de procedimentos e garantir o atendimento em situações de emergência.
Exigências regulatórias e operacionais
Diferentemente do transporte convencional de cargas fracionadas, a logística de dispositivos médicos envolve uma série de exigências regulatórias e operacionais. Além da movimentação física dos produtos, a operação acompanha o agendamento das cirurgias, garante a rastreabilidade completa dos materiais, mantém controle permanente de temperatura e umidade, assegura a cadeia de custódia e trabalha com equipes dedicadas exclusivamente ao segmento hospitalar.
Nesse modelo, previsibilidade e confiabilidade tornam-se tão importantes quanto velocidade. Um atraso na entrega ou uma falha na identificação de um material pode comprometer a realização de um procedimento cirúrgico.
“O impacto da operação logística vai muito além da entrega. Estamos lidando com produtos utilizados em cirurgias de alta complexidade, nas quais integridade, rastreabilidade e rapidez são fatores essenciais para o atendimento ao paciente”, afirma Goya.
Os investimentos também contemplaram a adoção de ferramentas de inteligência artificial para ampliar a visibilidade das operações, fortalecer os controles de rastreabilidade e aumentar a eficiência na gestão da cadeia logística.
Para a Jamef, esse tipo de operação acompanha uma mudança mais ampla no setor de saúde. À medida que hospitais e fabricantes passam a trabalhar com estoques mais enxutos e procedimentos cada vez mais programados, a logística deixa de ser apenas um serviço de transporte e assume papel estratégico na continuidade da assistência, exigindo processos especializados e capacidade de resposta em tempo real.
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