Mais de 160 mil encomendas barradas no Brasil retornaram ao exterior via Viracopos

Crescimento das compras em marketplaces asiáticos impulsiona operações de logística reversa para remessas recusadas pela alfândega brasileira

Redação

O avanço das compras em marketplaces asiáticos criou um novo fluxo na logística internacional brasileira: a devolução ao exterior de encomendas que não recebem autorização para entrar no país. Nos últimos 12 meses, mais de 160 mil remessas internacionais de comércio eletrônico foram devolvidas a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos (SP) após terem a entrada negada pela Receita Federal ou por órgãos anuentes como Anvisa, Ibama, Anatel e Exército.

As recusas estão relacionadas principalmente a inconsistências cadastrais, ausência de autorizações, problemas documentais, não recolhimento de tributos ou restrições regulatórias aplicáveis a determinados produtos.

O aumento desse tipo de ocorrência acompanha o crescimento das importações realizadas por consumidores brasileiros em plataformas internacionais de comércio eletrônico, especialmente marketplaces asiáticos como AliExpress e Alibaba.

Logística reversa internacional

Diferentemente do fluxo tradicional de importação, as remessas recusadas exigem uma operação logística específica para retorno ao país de origem, envolvendo operadores logísticos, companhias aéreas, Receita Federal e órgãos de fiscalização.

Segundo a FreteGlobal, responsável pela operação em Viracopos, a menor disponibilidade de voos internacionais de retorno a partir de Campinas exigiu a criação de uma solução logística utilizando Guarulhos como ponto de conexão para os embarques internacionais.

A estrutura permitiu ampliar as alternativas de devolução e reduzir os tempos de permanência dessas cargas nos terminais aeroportuários.

Novo desafio para os hubs cargueiros

A expansão do e-commerce internacional vem transformando os aeroportos brasileiros em importantes centros de processamento de remessas expressas, mas também ampliando a complexidade operacional relacionada às devoluções internacionais e aos chamados rechaços sanitários.

Além do custo adicional para operadores e marketplaces, a retenção prolongada dessas cargas pode pressionar a capacidade operacional dos terminais e elevar custos de armazenagem e processamento.

Viracopos e Guarulhos concentram atualmente grande parte da movimentação brasileira de remessas internacionais de comércio eletrônico e passaram a desempenhar papel estratégico também no fluxo reverso dessas operações.

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