A indústria brasileira de pneus para caminhões perdeu ainda mais espaço para os produtos importados no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as importações de pneus de carga cresceram 157,9% em relação ao mesmo período do ano passado, levando os fabricantes nacionais a responderem por apenas 27% do mercado de reposição, segundo dados divulgados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP).
Com o avanço das importações, os pneus estrangeiros passaram a concentrar 73% do mercado de reposição de pneus para caminhões, principal segmento de atuação dos importadores. Para a ANIP, o movimento evidencia um desequilíbrio competitivo que vem reduzindo a participação da indústria instalada no Brasil.
“Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus. O avanço das importações ameaça empregos, investimentos e a própria sustentabilidade da indústria instalada no país”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.
Segundo a entidade, muitos pneus importados entram no Brasil com preços considerados artificialmente baixos. Além disso, a associação afirma que parte dos importadores não cumpre integralmente as exigências ambientais relacionadas ao recolhimento e à destinação de pneus inservíveis.
Com base em dados do Ibama, a ANIP informa que os importadores acumulam um passivo superior a 500 mil toneladas de pneus que deixaram de ser recolhidos nos últimos 14 anos.
Setor pede reação do governo
A associação aguarda a análise, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), de pleitos para restabelecer condições mais equilibradas de concorrência no mercado brasileiro.
Como exemplo, a ANIP cita medidas adotadas por outros países para proteger suas indústrias. O México elevou a tarifa de importação de pneus para 35%, enquanto a União Europeia passou a aplicar tarifas de até 45,3% sobre pneus importados da China.
Segundo Navarro, a ausência de medidas semelhantes no Brasil pode ampliar a dependência de fornecedores externos.
“O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue vulnerável. Se não forem tomadas medidas urgentes, haverá desindustrialização e aumento da dependência do mercado externo, com impacto inclusive no agro, caso da borracha natural produzida aqui”, afirma o presidente da ANIP.
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