A companhia marítima Maersk iniciou a substituição dos dispositivos de conectividade de sua frota global de contêineres refrigerados, os chamados reefers, em um movimento que reforça a digitalização da cadeia do frio no transporte marítimo. Até junho, cerca de 30% da frota de reefers já havia sido equipada com a nova geração de dispositivos de conectividade IoT (Internet of Things). A atualização será estendida gradualmente a todos os contêineres refrigerados da companhia nos próximos anos.
A iniciativa amplia a disponibilidade de dados em tempo real para cargas sensíveis à temperatura, como carnes, frutas, pescados, laticínios, medicamentos e vacinas. Para esse tipo de operação, pequenas variações durante o transporte podem comprometer a qualidade da mercadoria, gerar perdas e dificultar o cumprimento de exigências sanitárias nos mercados de destino.
Segundo a Maersk, os novos dispositivos têm maior capacidade de processamento, suportam conectividade 4G e 5G, mantêm compatibilidade com redes 2G e 3G, contam com segurança aprimorada e utilizam energia gerada por painéis solares. A atualização também padroniza a base tecnológica da frota, que vinha operando com diferentes gerações de equipamentos.
Desde 2019, a companhia oferece aos clientes a plataforma Captain Peter, que permite acompanhar a carga desde o momento em que a mercadoria é lacrada no contêiner até a entrega no destino final. Com a nova geração de IoT, a proposta é ampliar a confiabilidade do fluxo de dados e preparar a plataforma para novas funções analíticas.
A evolução indica uma mudança no papel dos reefers. Além de manter a temperatura da carga, os contêineres passam a funcionar como ativos conectados, capazes de gerar informações sobre localização, condições internas, funcionamento do equipamento de refrigeração e eventuais desvios operacionais.
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Brasil está no centro dessa demanda
O avanço da conectividade interessa diretamente ao mercado brasileiro. O país é grande exportador de produtos que dependem de logística refrigerada, especialmente proteínas animais e frutas. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 169,2 bilhões, recorde histórico, segundo dados divulgados pelo governo federal.
Entre os segmentos mais sensíveis à cadeia do frio, a carne bovina brasileira também registrou recorde em 2025, com alta de 20,9% em volume e de 40,1% em receita, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Já as exportações brasileiras de frutas alcançaram US$ 1,45 bilhão, novo recorde pelo terceiro ano consecutivo, com avanço de 12% em valor e de 19,6% em volume, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Para embarcadores brasileiros, o monitoramento contínuo ajuda a reduzir riscos de perda de carga, melhorar a rastreabilidade e atender exigências de mercados internacionais, especialmente em rotas longas para Ásia, Europa, Oriente Médio e América do Norte.
A iniciativa reforça uma mudança em curso no transporte marítimo. Se antes a competitividade dos armadores era medida principalmente pela capacidade da frota e pela frequência dos serviços, hoje ela também passa pela oferta de informações em tempo real, rastreabilidade e inteligência operacional. Na cadeia do frio, onde pequenas variações de temperatura podem comprometer cargas de alto valor agregado, os dados passam a ter importância tão estratégica quanto o próprio transporte.
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