A indústria brasileira de implementos rodoviários encerrou o primeiro semestre de 2026 em retração, refletindo a cautela dos transportadores e embarcadores diante dos juros elevados e da incerteza econômica. Entre janeiro e junho, foram emplacados 66.736 implementos rodoviários no mercado interno, queda de 7,54% em relação às 72.179 unidades comercializadas no mesmo período de 2025. Os dados são da Associação Nacional das Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) divulgados na manhã desta segunda-feira (6).
O desempenho negativo foi puxado principalmente pelo segmento de reboques e semirreboques, que respondeu por 32.452 unidades no semestre, retração de 9,42% na comparação anual. Já as carrocerias sobre chassis registraram queda mais moderada, de 5,69%, passando de 36.352 para 34.284 unidades.
Apesar do resultado acumulado, junho trouxe um sinal de recuperação. O setor emplacou 12.318 implementos no mês, alta de 4,3% sobre maio, quando haviam sido licenciadas 11.810 unidades. Foi o melhor desempenho mensal da indústria em 2026, embora insuficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo do semestre.
No acumulado dos últimos 12 meses, o cenário continua desfavorável. Entre julho de 2025 e junho de 2026, foram vendidos 143.759 implementos rodoviários, volume 7,9% inferior às 156.037 unidades registradas nos 12 meses anteriores.
A análise por segmento mostra que a desaceleração não foi homogênea. Entre os reboques e semirreboques, o maior tombo ocorreu nos tanques de carbono, cujas vendas despencaram 44,12%, passando de 2.985 para 1.668 unidades. Logo atrás aparecem os baús lonados, que recuaram 40,8%, de 3.544 para 2.098 implementos, e os carrega-tudo, com queda de 23,76%, de 1.275 para 972 unidades.
Também sofreram retrações expressivas os baús frigoríficos, que caíram 19,6%, os silos (-15,55%), os porta-contêineres (-8,96%), os canavieiros (-5,53%), os implementos para transporte de toras (-2,09%), os basculantes (-1,99%) e os graneleiros/carga seca (-1,83%).
Na contramão, alguns nichos conseguiram crescer mesmo em um ambiente de mercado mais desafiador. Os tanques inox registraram a maior alta do segmento, de 24,88%, passando de 217 para 271 unidades. Também avançaram os baús de carga geral, com crescimento de 6,35%, os implementos especiais (+5,34%) e os dollys (+0,67%).
Nas carrocerias sobre chassis, o pior desempenho foi registrado pelos graneleiros/carga seca, que recuaram 14,88%, de 8.314 para 7.077 unidades. As betoneiras caíram 9,08%, seguidas pela categoria outras/diversas (-5,79%), tanques (-5,73%) e baús alumínio/frigorífico (-2,72%).
Os únicos segmentos em alta foram os baús lonados, que cresceram 11,94%, embora sobre uma base reduzida, passando de 201 para 225 unidades, e as carrocerias basculantes, com avanço de 2,2%, para 4.084 unidades.
Enquanto o mercado interno perdeu força, as exportações seguiram em ritmo positivo. Até abril, os fabricantes brasileiros embarcaram 1.537 implementos, crescimento de 20,93% sobre as 1.271 unidades exportadas no mesmo período do ano passado.
Resultados do Move Brasil ainda não aparecem
Para o presidente da Anfir, José Carlos Spricigo, os resultados da segunda fase do programa Move Brasil ainda não aparecem nas estatísticas porque muitas operações estão em fase de contratação e faturamento. A expectativa da entidade é que os efeitos do programa comecem a ser percebidos ao longo do segundo semestre.
“O programa é importante como alavanca de negócios, mas ainda precisamos que sejam tomadas outras medidas que forneçam uma base sólida de crescimento na economia como um todo”, afirma Spricigo.
Segundo o executivo, além das linhas de financiamento, o setor depende de um ambiente econômico mais previsível para estimular novos investimentos. “É fundamental que os empresários tenham uma visão de futuro de curto e médio prazo, onde haja certeza de estabilidade para que as decisões de negócios sejam tomadas com segurança”, diz.
Na avaliação da Anfir, o Move Brasil deve contribuir para reduzir o ritmo de queda da indústria de implementos nos próximos meses, mas uma recuperação mais consistente dependerá também da redução do custo do crédito, da melhora da atividade econômica e da retomada da confiança dos empresários.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



