A desaceleração nas vendas de caminhões em 2026 também atingiu as empresas de locação de veículos pesados. Ainda assim, o segmento mantém perspectivas positivas de crescimento no médio prazo, impulsionado pela busca das transportadoras por modelos de negócio menos intensivos em capital.
Dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) mostram que as locadoras adquiriram 3.941 caminhões no primeiro semestre, volume inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando as compras somaram cerca de 6,7 mil unidades
O vice-presidente da associação, Paulo Miguel Júnior, disse à Agência Transporte Moderno que a retração acompanha o momento vivido pelo mercado de transporte rodoviário de cargas, pressionado por juros elevados, menor ritmo da atividade econômica e redução dos investimentos das transportadoras. “O mercado de locação acompanha o desempenho da indústria de caminhões. O setor de transporte de cargas enfrenta dificuldades neste momento, e isso acaba refletindo nas compras das locadoras.”
Apesar da desaceleração, a entidade projeta que as empresas do setor encerrem o ano com a aquisição de 7,5 mil a 8 mil caminhões, abaixo das 12.260 unidades compradas em 2025. A redução nas compras, porém, não significa retração da frota disponível para locação. De acordo Miguel Júnior, caminhões permanecem mais tempo em operação do que automóveis, o que permite a expansão da frota mesmo em anos de menor renovação.
No fim de 2025, as empresas de locação com atividade principal registrada no segmento mantinham uma frota de 56.267 caminhões.
Para a Abla, a tendência estrutural permanece favorável ao aluguel de veículos pesados. A avaliação é que um número crescente de transportadoras tem optado por terceirizar a gestão dos ativos para concentrar recursos financeiros na operação logística.
“Hoje, muitas empresas preferem investir no próprio negócio em vez de imobilizar capital na compra de caminhões. O veículo deixa de ser um ativo estratégico e passa a ser um serviço contratado”, diz o vice-presidente da associação. Segundo ele, essa mudança de comportamento ainda está em estágio inicial no Brasil, o que indica amplo espaço para expansão do mercado.
“O caminhão não é a atividade-fim da transportadora. O negócio dela é transportar carga com eficiência, no menor custo e no menor tempo possível. A locação permite que a empresa concentre seus investimentos na operação e deixe a gestão dos ativos para empresas especializadas.”
Mais força diante do crédito escasso
A entidade também avalia que o crescimento da locação tende a ganhar força em momentos de maior restrição de crédito. Com menor disponibilidade de financiamento e custo elevado do capital, o aluguel passa a ser uma alternativa para empresas que precisam ampliar ou renovar a frota sem realizar grandes desembolsos.
Embora mantenha uma visão positiva para o longo prazo, a Abla evita fazer projeções mais otimistas para o segundo semestre. Segundo Miguel Júnior, o ambiente econômico ainda é marcado por incertezas que dificultam estimativas sobre o ritmo de recuperação do mercado de caminhões.
“O transporte rodoviário continuará sendo predominante no Brasil e, por isso, a demanda por caminhões sempre existirá. O que ainda não está claro é a velocidade dessa retomada diante do cenário econômico e político”, finaliza.
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