A Greentech Locação Intralogística decidiu ampliar sua presença em um dos mercados mais disputados da logística brasileira. A empresa, que hoje detém a marca de quarta maior frota multimarcas para venda e locação de equipamentos para movimentação interna de cargas no no Brasil, com 4.030 equipamentos, sendo 76% da frota na modalidade elétrica, incorpora agora empilhadeiras elétricas com marca própria, em uma estratégia que combina eletrificação, avanço dos fabricantes chineses e expansão da locação como alternativa à compra de ativos.
As primeiras máquinas da nova linha, batizada de Trunfo, chegaram ao Brasil em junho pelo Porto de Santos (SP) e já estão na matriz da companhia, em Monte Mor, no interior paulista. Segundo a empresa, mais de 25 unidades foram vendidas antes mesmo do início formal da comercialização.
A meta é vender 300 equipamentos próprios ainda este ano. Um segundo lote já está em negociação com o fabricante parceiro na China, dentro de um contrato OEM. As máquinas chegam prontas ao Brasil, mas passam por processo de inspeção, adaptação e tropicalização antes de serem entregues aos clientes.

Locação ganha espaço
A decisão da Greentech ocorre em um mercado que amplia investimentos em automação, modernização de armazéns e expansão de centros de distribuição. O avanço do comércio eletrônico e a busca por ganhos de produtividade têm ampliado a demanda por equipamentos de movimentação de cargas.
Nesse contexto, a locação de empilhadeiras ganha espaço no país. Com o custo do capital elevado, muitas empresas passaram a substituir a compra de ativos pela contratação de serviços especializados, preservando caixa e direcionando investimentos para a atividade principal.
Hoje, a penetração da locação no mercado brasileiro de empilhadeiras é estimada em cerca de 30%, percentual inferior ao observado em mercados mais maduros, indicando espaço adicional para expansão.
É nesse cenário que a Greentech pretende crescer. A meta é elevar essa participação dos equipamentos elétricos na frota de 75% para uma faixa entre 80% e 85% até o próximo ano, à medida que contratos antigos forem renovados e clientes avancem na adaptação da infraestrutura para receber equipamentos elétricos.
“Há alguns anos era necessário convencer o cliente sobre os benefícios da eletrificação. Hoje a discussão é econômica”, afirma Rafael Gomes, novo CEO da Greentech. Segundo ele, dependendo da região e das condições de contratação de energia, a substituição de modelos a diesel ou GLP por elétricos pode gerar economia operacional de até 40%.
Ex-Vamos, onde estruturou a área de intralogística, Gomes assumiu o comando da Greentech com a missão de acelerar o crescimento, ampliar a digitalização dos processos e consolidar a empresa como referência em produtividade intralogística e eficiência energética. “Queremos ajudar nossos clientes a produzir mais, movimentar melhor e consumir menos recursos”, diz o executivo.
Chineses avançam na intralogística
A chegada da linha própria da Greentech também reforça outro movimento em curso no setor: o avanço dos fabricantes chineses no mercado brasileiro de equipamentos para movimentação de cargas. Assim como já ocorre nos segmentos de automóveis, ônibus e caminhões, marcas asiáticas ampliam presença no país, elevando a concorrência e pressionando os preços dos equipamentos.
Para Gomes, a intralogística começa a reproduzir a dinâmica observada em outros setores da mobilidade. “Há duas formas de reagir: brigar contra os chineses ou se aliar a eles. Nós decidimos trazer o produto adequado para a aplicação brasileira”, afirma.
Segundo o executivo, a nova linha foi desenvolvida com foco em custo-benefício e pode oferecer economia de 30% a 40% em relação a equipamentos tradicionais, tanto na venda quanto na locação. Apesar disso, a Greentech afirma que continuará atuando como empresa multimarca, respeitando a preferência dos clientes por diferentes fabricantes.
A marca própria deve ganhar participação gradualmente. Hoje, a base da empresa ainda é integralmente multimarca. A expectativa é que os equipamentos Trunfo representem cerca de 10% dos negócios a partir de 2027.
Eletrificação deixa de ser tendência
Para a Greentech, a eletrificação deixou de ser uma aposta de longo prazo para se tornar uma decisão operacional e financeira. A disseminação dos veículos elétricos, a redução do custo das baterias de íons de lítio e a busca das empresas por metas ESG vêm acelerando a adoção dos equipamentos elétricos nos centros de distribuição e operações industriais.
Segundo Gomes, grandes clientes, especialmente montadoras e operadores logísticos, já incorporam a eletrificação em seus planos de renovação de frota, embora parte deles ainda precise adaptar a infraestrutura para receber os novos equipamentos.
Criada em 2023 a partir de um processo de fusões e aquisições, a Greentech reúne operações com mais de quatro décadas de atuação em intralogística. A empresa atende cerca de 400 clientes em todo o país e conta com mais de 200 veículos de serviço para suporte em campo.
Entre os investidores da companhia estão Kinea Investimentos, Spectra Investments, Danica Capital e Impact Fund Denmark. A presença dos fundos, segundo a empresa, reforça a estratégia de crescimento associada à eficiência energética e à agenda ESG.
A disputa, agora, será por quem consegue entregar disponibilidade, menor custo operacional e assistência técnica em um mercado cada vez mais competitivo.
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