Os centros de distribuição brasileiros começam a adotar o modelo de climatização por assinatura, no qual a compra de equipamentos é substituída pela contratação de um serviço contínuo de gestão térmica. Para a Vulp Air, empresa especializada em climatização corporativa, a logística deverá se tornar uma das principais frentes de expansão do negócio nos próximos anos.
Segundo Mateus Orsini, CEO da Vulp Air, menos de 10% dos centros de distribuição brasileiros possuem sistemas efetivos de climatização, cenário que revela um amplo potencial de crescimento para esse mercado. O plano da companhia é que os segmentos de transporte e armazenagem respondam por 13% de sua carteira de clientes em até cinco anos.
A aposta faz parte do plano de crescimento da empresa, que encerrou 2025 com receita de R$ 132 milhões, crescimento orgânico de 81% entre dezembro de 2023 e 2025, mais de 2.500 clientes corporativos, cerca de 150 mil equipamentos sob gestão e investimentos de R$ 100 milhões realizados desde a reestruturação do negócio. Para 2026, a meta é dobrar de tamanho.
No modelo adotado pela Vulp, as empresas deixam de adquirir equipamentos e contratar fornecedores distintos para projeto, instalação, manutenção e automação. Todo o sistema passa a ser administrado pela companhia mediante pagamento de uma mensalidade fixa. De acordo com a empresa, o monitoramento contínuo e a automação dos sistemas permitem reduzir o consumo de energia entre 20% e 50%, dependendo das características da operação.
Galpões entram no radar
Orsini afirmou que a companhia identifica um amplo espaço para expansão da climatização em instalações logísticas, especialmente em centros de distribuição que ainda operam sem sistemas adequados de controle térmico.
“Hoje a maioria dos CDs no Brasil não possui climatização. Colocar simplesmente ar-condicionado não funciona, por causa do pé-direito elevado e da dimensão dessas instalações. É preciso desenvolver projetos específicos”, disse.
Para atender ambientes com grandes áreas e elevados pés-direitos, a empresa utiliza soluções como sistemas evaporativos, que resfriam o ambiente por meio da evaporação da água e consomem menos energia do que os sistemas convencionais de ar-condicionado, além de recursos de automação e monitoramento remoto.
Na visão de Orsini, a busca por melhores condições de trabalho, produtividade operacional e redução de problemas relacionados à insalubridade deverá impulsionar a adoção dessas soluções em galpões logísticos.
Embora ainda esteja no início da atuação nesse segmento, a companhia já atende um centro de distribuição do varejo e espera ampliar gradualmente sua presença, acompanhando a expansão do comércio eletrônico, das operações de proximidade e da logística de última milha.
“Vai crescer cada vez mais, principalmente com o avanço do last mile. Como abastecer lojas em regiões centrais das grandes cidades sem estruturas próximas? Esse movimento vai exigir novas instalações e mais infraestrutura”, afirmou o executivo.
Na avaliação do executivo, o crescimento das operações de última milha, do varejo alimentar e da demanda por entregas rápidas deverá ampliar os investimentos em infraestrutura térmica especializada. Segmentos como alimentos e bebidas, farmacêutico, e-commerce e armazenagem de perecíveis estão entre os mercados considerados mais promissores pela empresa.
Da compra do equipamento ao serviço
A proposta acompanha um movimento de servitização cada vez mais presente na logística. Em vez de comprar ativos e gerenciá-los internamente, as empresas passam a contratar o desempenho e a disponibilidade da infraestrutura como serviço.
O modelo já é amplamente utilizado em áreas como locação de empilhadeiras, gestão de frotas, equipamentos intralogísticos e manutenção industrial. Na prática, a climatização deixa de ser tratada como um equipamento e passa a ser administrada como uma infraestrutura crítica da operação, sob responsabilidade de um único fornecedor.
Além dos equipamentos, a Vulp assume o estudo técnico do ambiente, o projeto executivo, a instalação, a manutenção preventiva e corretiva, o monitoramento contínuo, a substituição de componentes e a emissão de laudos técnicos.
“A climatização ainda é vista por muitas empresas apenas como um equipamento. Nossa visão é que ela deve ser tratada como infraestrutura estratégica, com automação, eficiência energética, previsibilidade financeira e performance garantida”, afirmou Orsini.
A operação é suportada por software e hardware próprios, capazes de monitorar equipamentos em tempo real e realizar intervenções remotas. Sensores instalados nos sistemas enviam dados continuamente para uma central de monitoramento localizada em São Paulo, permitindo acompanhar o desempenho dos ativos e, em alguns casos, atuar remotamente sobre os equipamentos. A operação é apoiada por uma rede formada por 13 bases físicas, técnicos em praticamente todos os estados e cerca de 200 veículos de serviço espalhados pelo País.
De acordo com a empresa, mais de 99% dos chamados são solucionados nas primeiras 24 horas. O índice é especialmente relevante para operações que não podem sofrer interrupções, como hospitais, data centers e centros de distribuição que operam em regime contínuo.
Na avaliação de Orsini, a combinação entre expansão do comércio eletrônico, crescimento das operações urbanas de abastecimento e maior preocupação das empresas com eficiência energética tende a acelerar a adoção de sistemas de climatização em instalações logísticas nos próximos anos.
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