A Ultracargo concluiu um ciclo de investimentos de R$ 1,2 bilhão entre 2024 e 2025 que começou a redesenhar sua atuação nos principais corredores de combustíveis, biocombustíveis e produtos químicos do País.
Mais do que ampliar a capacidade de armazenagem, os aportes foram direcionados para eliminar gargalos operacionais, aumentar a integração ferroviária e preparar a infraestrutura para a expansão dos combustíveis renováveis.
O resultado mais imediato foi a ampliação de 6% da capacidade estática da companhia, que alcançou 1,131 milhão de metros cúbicos. O crescimento inclui 34 mil m³ adicionais no terminal de Santos (SP), 23 mil m³ na nova unidade de Palmeirante (TO) e 7 mil m³ em Rondonópolis (MT).
Segundo Karla Grativol, diretora executiva de Gente, Comunicação e Sustentabilidade da Ultracargo, a estratégia está baseada no fortalecimento de corredores capazes de aproximar os polos produtores dos mercados consumidores e dos portos.

“Os investimentos em infraestrutura vão muito além da ampliação de capacidade. Eles permitem que combustíveis, biocombustíveis e produtos químicos cheguem aos mercados com maior eficiência, segurança e previsibilidade, fortalecendo cadeias produtivas essenciais para o desenvolvimento do País”, afirma.
Os investimentos foram acompanhados pela evolução do Sistema de Gestão Ultracargo (SOUL), que trouxe ganhos de produtividade para as operações. Em 2025, a empresa reduziu em 12% o tempo médio de movimentação rodoviária em seus terminais.
Desde 2021, a companhia acumulou redução de R$ 55,6 milhões em custos operacionais, resultado atribuído à padronização de processos, melhoria do desempenho dos ativos e maior eficiência operacional.
Arco Norte: estratégia de interiorização
Um dos principais movimentos da Ultracargo foi a inauguração do terminal de Palmeirante (TO), projeto que recebeu investimento de R$ 160 milhões e adicionou 23 mil m³ de capacidade de armazenagem. Conectado por ferrovia ao Porto de Itaqui (MA), o terminal fortalece o corredor logístico Nordeste e amplia a presença da companhia no Arco Norte, região que vem ganhando importância com o avanço da produção agrícola e o crescimento dos biocombustíveis.
Para Karla, a armazenagem deixou de cumprir apenas a função de estocagem e passou a desempenhar papel estratégico na integração dos modais. “Os terminais funcionam como plataformas de conexão multimodal, sincronizando com segurança e eficiência os fluxos ferroviários, rodoviários, hidroviários e portuários. Essa integração garante mais previsibilidade e capacidade de resposta ao crescimento da demanda”, diz.
Ferrovia depende de maior integração
A companhia também ampliou sua aposta no transporte ferroviário. Em 2025, concluiu novos desvios ferroviários nos terminais de Paulínia (SP) e Rondonópolis (MT), reduzindo gargalos de manobra e aumentando a eficiência das operações de carga e descarga de vagões.
No Corredor Central, a Ultracargo opera o maior terminal independente de etanol do Brasil, conectado à única dutovia de etanol do País, uma estrutura considerada estratégica para a movimentação de combustíveis em larga escala.
Na avaliação de Karla, o principal desafio para ampliar a participação da ferrovia não é apenas expandir a malha ferroviária, mas garantir uma infraestrutura integrada entre trilhos, terminais especializados, rodovias, portos e dutos.
Dados da ANTT indicam que o transporte ferroviário brasileiro movimentou 554,48 milhões de toneladas úteis em 2025, recorde histórico e crescimento de 2,6% sobre o ano anterior. Ainda assim, o modal responde por cerca de 19% da matriz nacional de transporte de cargas, enquanto o rodoviário concentra aproximadamente 62%.
Além de reduzir custos em médias e longas distâncias, o fortalecimento da ferrovia também está associado às metas ambientais do setor, já que esse modal pode emitir cerca de 85% menos CO₂ por tonelada transportada em comparação ao transporte rodoviário.
Robôs reduzem manutenção de tanques
A busca por eficiência também chegou às atividades de manutenção. No terminal de Santos, a Ultracargo passou a utilizar robôs para inspeção de fundo de tanques, reduzindo o tempo de parada dos equipamentos de 15 para apenas dois dias.
A tecnologia eliminou a necessidade de entrada de profissionais em espaços confinados e aumentou a disponibilidade dos ativos. Após os resultados obtidos em Santos, a solução foi levada ao terminal de Itaqui (MA), onde passou a ser aplicada em tanques de água destinados ao sistema de combate a incêndio.
A iniciativa rendeu à companhia o primeiro lugar na categoria Empresa Inovadora do Prêmio InovaPortos 2025 e o Prêmio InovaInfra.
Biocombustíveis e novos corredores
O avanço da produção agrícola no Centro-Oeste, o aumento da oferta de biocombustíveis e o desenvolvimento de novas cadeias, como a do combustível sustentável de aviação (SAF), devem ampliar a necessidade de infraestrutura de armazenagem e de corredores logísticos mais eficientes.
Nesse cenário, Karla afirma que a empresa manterá os investimentos na interiorização das operações, na ampliação de seus terminais e na preparação da infraestrutura para atender uma matriz energética cada vez mais diversificada.
A executiva ressalta, no entanto, que o avanço da logística brasileira depende não apenas de novos investimentos privados, mas também de um ambiente capaz de garantir previsibilidade aos projetos de longo prazo.
“O desafio não está na falta de potencial do Brasil, mas na velocidade com que conseguimos transformar esse potencial em competitividade. Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estabilidade institucional são fundamentais para acelerar os investimentos necessários”, afirma.
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