Os mercados de comerciais leves e caminhões seguiram trajetórias distintas nos quatro primeiros meses de 2026. Enquanto os veículos destinados à distribuição urbana, serviços e entregas registraram crescimento nas vendas, os caminhões mantiveram o movimento de retração observado desde o início do ano, refletindo o impacto dos juros elevados e da maior cautela dos transportadores na renovação de frota.
Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores – Fenabrave mostram que os emplacamentos de comerciais leves somaram 175.377 unidades entre janeiro e abril, alta de 7,55% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram licenciados 163.071 veículos.
Em abril, o segmento registrou 49.943 unidades emplacadas, crescimento de 11,3% sobre as 44.872 registradas no mesmo mês do ano passado. Na comparação com março, porém, houve recuo de 3,67%, influenciado pelo menor número de dias úteis no mês.
O desempenho dos comerciais leves acompanha a expansão das operações de distribuição urbana, comércio eletrônico, prestação de serviços e transporte de mercadorias em centros urbanos. O segmento também vem sendo beneficiado por campanhas promocionais das montadoras e por uma demanda ainda aquecida por renovação de frota.
Para Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, os números mostram que o mercado continua apresentando sinais de aquecimento na maior parte dos segmentos. “O resultado do quadrimestre mostrou que o mercado, para a maior parte dos segmentos, continua aquecido. A queda geral sobre março é explicada pelo menor número de dias úteis em abril, mas a comparação sobre abril de 2025, assim como sobre o acumulado do quadrimestre seguem bastante favoráveis. Isso demonstra que há demanda, diversidade de oferta e um ambiente comercial ativo, mesmo com juros ainda elevados”, afirma.
Juros e custos freiam renovação de frota
Já o mercado de caminhões segue enfrentando um cenário mais desafiador. Em abril, foram emplacadas 8.661 unidades, resultado praticamente estável em relação a março (-1,2%), mas 3,24% inferior ao registrado em abril de 2025.
No acumulado do primeiro quadrimestre, os licenciamentos de caminhões totalizaram 30.411 unidades, frente às 35.897 registradas no mesmo período do ano passado, uma retração de 15,28%. Segundo os dados da Fenabrave, o comportamento do segmento confirma que o mercado de caminhões permanece mais sensível ao custo do crédito, ao nível de atividade econômica e às decisões de investimento dos transportadores.
A entidade avalia que fatores como juros elevados, preço do diesel, demanda por fretes e perspectivas para a economia continuam influenciando diretamente as decisões de compra. O cenário tem levado empresas e autônomos a adiar investimentos ou prolongar o ciclo de renovação dos veículos.
Para Arcelio Junior, a diferença de desempenho entre leves e pesados está diretamente relacionada à sensibilidade de cada segmento às condições de financiamento. O executivo acrescenta que a principal expectativa para os veículos pesados está na segunda fase do Programa Move Brasil.
“Para os pesados, como caminhões, ônibus e implementos, a boa notícia está na recente divulgação, pelo Governo Federal, da 2ª Fase do Programa Move Brasil, que aportará mais de R$ 21 bilhões para a renovação da frota desses veículos, o que esperamos possa reverter a curva de queda dos emplacamentos”, avalia
Move Brasil: expectativa de recuperação
A segunda fase do Programa Move Brasil elevou os recursos disponíveis para financiamento de R$ 10 bilhões para R$ 21,2 bilhões e passou a contemplar também ônibus e implementos rodoviários.
Segundo a Fenabrave, a comercialização de caminhões pesados financiados pelo programa cresceu mais de 49% entre fevereiro e março. A expectativa é que parte dessas operações se reflita nos emplacamentos dos próximos meses, conforme os veículos forem faturados e entregues aos clientes.
Mesmo com a retração acumulada até abril, a entidade decidiu manter suas projeções para o fechamento de 2026. A estimativa é de que o mercado de caminhões alcance 114.752 unidades emplacadas até dezembro, crescimento de 3,5% sobre as 110.873 registradas em 2025.
Os números do primeiro quadrimestre mostram que a demanda por veículos comerciais continua presente, mas concentrada em segmentos com menor dependência de financiamento de longo prazo. Enquanto os comerciais leves seguem impulsionados pelas atividades urbanas e pela expansão logística, os caminhões ainda aguardam condições mais favoráveis de crédito e a efetiva implementação dos programas de renovação de frota para retomar uma trajetória consistente de crescimento.
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