Com Move Brasil, produção de caminhões cresce 11,2% em julho após meses de queda

Anfavea atribui avanço às compras feitas pelo programa; primeira etapa teria acrescentado entre 8 mil e 10 mil caminhões nas linhas de montagem

Aline Feltrin

A produção brasileira de caminhões reagiu em julho após meses de retração, impulsionada pela demanda gerada pelas compras realizadas no âmbito do programa Move Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a fabricação de veículos pesados cresceu 11,2% na comparação com junho.

“De um mês para outro tem um crescimento de 11% na produção, em virtude da demanda das compras feitas no âmbito do Move”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante a apresentação dos resultados do setor nesta sexta-feira (7).

Os dados da entidade mostram que as montadoras produziram 12,1 mil caminhões em julho, ante 10,9 mil unidades em junho. Na comparação anual, o resultado ficou praticamente estável: em julho de 2025 também haviam sido fabricados cerca de 12,1 mil caminhões, alta de apenas 0,4%.

Apesar da reação pontual, o desempenho acumulado ainda mostra um mercado abaixo do registrado no ano passado. Entre janeiro e julho, a indústria produziu 68,9 mil caminhões, contra 78,4 mil unidades no mesmo período de 2025, retração de 12,1%.

Até 10 mil caminhões na primeira fase

Para Calvet, o impacto da primeira etapa do Move Brasil pode ser estimado entre 8 mil e 10 mil caminhões adicionais ao mercado. “No primeiro Move foi algo em torno de 8 a 10 mil caminhões. Esse é um dado, é uma estimativa nossa, obviamente, porque é a estimativa de quanto a gente costumava ter e de quanto foi o incremento no período”, afirmou.

Na avaliação do executivo, a segunda fase do programa deve gerar um efeito ainda maior. A expectativa da Anfavea é que as duas fases do Move Brasil possam representar um volume adicional de 15 mil caminhões em 2026.

A diferença entre produção e emplacamentos ocorre porque a fabricação é apenas uma etapa do processo. Após sair da linha de montagem, o veículo ainda precisa passar por faturamento e registro para entrar oficialmente na frota. “Produz, depois tem o faturamento, depende do emplacamento. Demora de quatro a sete semanas para acontecer”, explicou Calvet.

Em julho, os emplacamentos já refletiram uma reação mais intensa da demanda. Foram registrados 11,7 mil caminhões, ante 9,8 mil em junho, crescimento de 19,4%. Na comparação com julho de 2025, quando foram licenciadas 10,6 mil unidades, houve avanço de 10%.

Considerando veículos nacionais e importados, os licenciamentos somaram 11.650 caminhões em julho, contra 9.755 em junho. Entre os segmentos, os pesados alcançaram 5.446 unidades, alta de 20,6% no mês; os semipesados chegaram a 3.384 unidades, crescimento de 15%; e os médios avançaram 19,9%, para 1.524 unidades.

Programa reduz ritmo da queda no mercado

Mesmo com a recuperação de julho, o mercado brasileiro de caminhões ainda registra retração no acumulado do ano. Entre janeiro e julho, foram emplacadas 60,6 mil unidades, contra 65,3 mil no mesmo período de 2025, queda de 7,2%.

Para o presidente da Anfavea, o principal efeito do Move Brasil até agora foi reduzir a intensidade da retração. “O resultado porque viemos de uma queda de 31% e estamos agora em uma queda de 7% em julho”, afirmou Calvet. Segundo ele, sem o programa, a retração poderia ter sido maior, com impactos mais fortes sobre a cadeia produtiva.

A entidade avalia que os próximos meses serão importantes para medir a sustentação da recuperação. Segundo Calvet, setembro deve oferecer uma visão mais completa dos efeitos da segunda etapa do programa.

Exportações seguem pressionadas

No mercado externo, julho trouxe melhora na comparação mensal, mas os resultados continuam abaixo de 2025. As exportações somaram 2,3 mil caminhões, alta de 8,7% sobre junho, quando os embarques chegaram a 2,1 mil unidades. Na comparação anual, porém, houve queda de 17,9%. Em julho de 2025, as montadoras brasileiras haviam exportado 2,8 mil caminhões.

No acumulado de janeiro a julho, os embarques totalizaram 13,5 mil unidades, contra 16,2 mil no mesmo período do ano passado, retração de 16,5%. Os números mostram que a recuperação da indústria neste momento está concentrada no mercado interno, enquanto produção e exportações ainda carregam os efeitos de um primeiro semestre mais fraco.

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