Braspress reforça infraestrutura digital para suportar avanço das encomendas

Investimento elimina gargalos operacionais e aumenta capacidade de processamento nos períodos de maior demanda

Valeria Bursztein

A Braspress concluiu a modernização de sua infraestrutura de tecnologia com investimentos de cerca de R$ 4 milhões em servidores e sistemas de armazenamento de dados. A atualização, finalizada em março, integra o plano de transformação digital da companhia e busca ampliar a capacidade operacional diante do crescimento do volume de emissões, da maior demanda por processamento de dados e da pressão por respostas mais rápidas nas operações de transporte.

Segundo a empresa, a substituição completa dos sistemas de storage e servidores eliminou gargalos operacionais que começavam a limitar a expansão das atividades em períodos de pico. De acordo com informações divulgadas, a nova estrutura já permite performances até dez vezes superiores em determinadas rotinas operacionais.

A modernização acompanha o avanço do e-commerce, das operações omnichannel e das entregas mais rápidas que elevou significativamente o volume de informações processadas diariamente pelas empresas de transporte, especialmente em atividades ligadas à emissão de documentos fiscais, rastreamento em tempo real, roteirização, integração com embarcadores e gestão de picos operacionais.

Estimativas da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicam que o e-commerce brasileiro deve movimentar mais de R$ 250 bilhões em 2026, impulsionado pela expansão dos marketplaces, pela digitalização do varejo e pelo crescimento das operações direct-to-consumer (D2C).

Gargalos surgiram com crescimento das operações

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, Luiz Scheliga, diretor de Tecnologia da Informação da Braspress, afirmou que parte da infraestrutura anterior já apresentava sinais de desgaste tecnológico diante do crescimento da operação.

“Parte dos equipamentos já depreciados começava a se tornar um dificultador do crescimento da operação. Ainda não havia impacto direto para o cliente, mas já existiam sinais de alerta que poderiam comprometer nossos padrões de qualidade e nível de serviço”, afirmou.

Segundo Scheliga, os maiores ganhos aparecem nos períodos de maior demanda operacional e em processos de processamento intensivo de dados, como fechamento mensal, emissão de documentos fiscais e rotinas de back-office.

“Com o aumento do volume de emissões que estamos experimentando, dias de maior movimento acabavam encontrando em nossa infraestrutura um gargalo para dar vazão a esse volume. Com a entrada em operação da nova infraestrutura, estamos preparados para ampliar nossos despachos sem deterioração nos tempos de resposta”, explicou.

Embora a empresa não divulgue indicadores detalhados de capacidade ou latência, a Braspress afirma que os ganhos já impactam diretamente a fluidez operacional, a estabilidade dos sistemas e o atendimento ao cliente.

Nuvem privada e estratégica

A nova arquitetura foi estruturada sobre uma nuvem privada própria. Segundo Scheliga, a decisão de manter uma infraestrutura própria está relacionada tanto aos investimentos já realizados ao longo dos últimos anos quanto à necessidade de maior controle sobre disponibilidade, segurança e estabilidade operacional.

“A utilização de uma nuvem privada é uma direção adotada há alguns anos e seguimos avaliando o mercado e eventuais estratégias híbridas. Hoje já usamos serviços em nuvem para algumas soluções periféricas à operação, onde isso faz sentido do ponto de vista de funcionalidade e escalabilidade”, disse.

O executivo afirma que a migração para provedores públicos de nuvem ainda envolve desafios relacionados a custo, integração e arquitetura dos sistemas legados, realidade comum entre empresas de transporte e operadores logísticos com operações críticas altamente integradas.

A atualização também permitiu revisar toda a configuração do ambiente de banco de dados da companhia. Segundo Scheliga, parte da estrutura precisou ser recriada antes da migração definitiva para explorar integralmente a capacidade dos novos equipamentos.

“O projeto exigiu um planejamento muito cuidadoso para evitar qualquer impacto operacional. Conseguimos realizar a migração sem interrupções relevantes para a operação”, afirmou.

Segurança cibernética

O reforço da infraestrutura tecnológica também ocorre em meio ao aumento das preocupações do setor logístico com segurança cibernética e proteção de dados. Empresas de transporte concentram informações fiscais, dados de cargas, rastreamento de veículos, integrações bancárias e sistemas operacionais críticos, o que ampliou a exposição do setor a ataques digitais nos últimos anos.

Os investimentos recentes na Braspress também buscaram ampliar a resiliência dos sistemas, a disponibilidade da operação e a segurança das informações processadas diariamente pela companhia. “A estrutura está dimensionada para suportar o crescimento previsto pelos próximos anos, contemplando todas as iniciativas de negócio já planejadas, incluindo a expansão geográfica, que fazemos constantemente, além da oferta de novos serviços em nosso portfólio. Em termos de infraestrutura não deveremos ter novos investimentos no curto prazo, estamos agora voltados à modernização de nossos sistemas e à incorporação de novas tecnologias aplicadas ao negócio”, diz o executivo.

IA, telemetria e analytics

De acordo com Scheliga, a Braspress já utiliza ferramentas de analytics, automação, telemetria e IoT em parte de suas operações e pretende ampliar o uso dessas tecnologias nos próximos anos. “O uso de Inteligência Artificial já está presente em alguns processos e tem sua evolução acompanhada de perto pelo nosso time. A ideia da modernização é facilitar cada vez mais a incorporação e integração de tecnologias que suportem o negócio na medida em que se tornem viáveis”, afirmou.

A companhia afirma que a nova infraestrutura já foi dimensionada para suportar os planos de expansão geográfica e a ampliação do portfólio de serviços previstos para os próximos anos. O foco agora, segundo a empresa, passa a ser a modernização dos sistemas e a incorporação de novas aplicações voltadas à eficiência operacional e à capacidade de resposta das operações logísticas.

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