Centro de testes brasileiro reduzirá em até seis meses desenvolvimento de caminhões e ônibus, diz executivo da Mercedes-Benz

A estratégia ganha relevância em um momento de aumento da concorrência no setor, com a chegada de novas montadoras chinesas ao mercado brasileiro

Aline Feltrin

O Brasil está entre os países com processos mais demorados de homologação de veículos comerciais, fator que historicamente amplia custos e alonga o ciclo de desenvolvimento de caminhões e ônibus no mercado nacional. Para reduzir esse prazo, a Mercedes-Benz do Brasil afirma ter ampliado sua estrutura local de engenharia e testes, movimento que já deve cortar em até seis meses o tempo de desenvolvimento de novos produtos no país.

A expectativa ganhou força com a inauguração do novo Centro de Testes Veiculares e de Infraestrutura (CTVI), em Iracemápolis (SP), fruto de um investimento conjunto de R$ 130 milhões da Mercedes-Benz do Brasil e da Bosch. O complexo foi concebido para acelerar testes e homologações ligados à segurança ativa, eletrificação, condução autônoma e sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS).

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, Daniel Spinelli, diretor de desenvolvimento de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, afirmou que a nova estrutura permitirá acelerar tanto as etapas de validação quanto os processos finais de homologação. “O fator homologação é a etapa final do desenvolvimento. Hoje conseguimos evitar o envio de veículos para a Alemanha em vários testes. Agora ganhamos muito em logística e prazo”, afirmou o executivo.

Segundo ele, a montadora também deve reduzir em alguns meses a etapa de homologação ao internalizar ensaios que antes dependiam da estrutura europeia. Entre eles estão testes de rodagem, avaliações de interferência elétrica e eletrônica e outras validações técnicas exigidas pelas regulamentações brasileiras.

Além da infraestrutura física, a empresa ampliou o uso de análise de dados e simulações numéricas dentro da engenharia nacional. “Dentro do pacote de desenvolvimento de produto, conseguimos reduzir entre três e seis meses porque temos a infraestrutura aqui e aplicamos competências de engenharia local”, disse Spinelli.

O executivo ressaltou que a estratégia da Mercedes vai além da simples adaptação de modelos globais ao mercado brasileiro. Segundo ele, os caminhões desenvolvidos para o país exigem ajustes específicos para suportar operações severas, longas distâncias e aplicações de alta capacidade, como composições de até 74 ou 91 toneladas. “Aqui desenvolvemos para o mercado nacional e depois homologa conforme a legislação. Existe um cuidado maior com a robustez da aplicação brasileira”, afirmou.

Segundo Spinelli, o novo centro também permitirá à engenharia brasileira realizar praticamente todos os testes hoje disponíveis na Europa, funcionando ainda como laboratório para novos conceitos de mobilidade em parceria com universidades e empresas de tecnologia. “Nessa nova realidade conseguimos explorar tecnologias no limite do uso brasileiro.”

A estratégia ganha relevância em um momento de aumento da concorrência no setor, com a chegada de novas montadoras chinesas ao mercado brasileiro, principalmente no segmento de caminhões eletrificados. “A maior vantagem que nossos clientes podem experimentar aqui, e que vai ajudar contra a competição, é a velocidade. Na fase atual de transformação tecnológica e com os novos competidores que estão chegando, isso é uma vantagem”, finaliza o executivo.

O centro também foi desenhado para acelerar o desenvolvimento de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), incluindo tecnologias como frenagem automática de emergência, proteção de pedestres e ciclistas, radares, sensores ultrassônicos e recursos de condução semiautônoma.

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Momento decisivo para a indústria

Diferentemente de centros focados em performance esportiva, o CTVI foi planejado para reproduzir situações do cotidiano brasileiro. A lógica é simples: quanto mais realistas forem os cenários de testes, mais eficiente será o desenvolvimento de tecnologias de segurança e assistência para o uso diário nas cidades e rodovias do país.

As empresas também apostam na flexibilidade comercial do empreendimento. Tanto os boxes quanto as pistas podem ser alugados por períodos fixos ou sob demanda, permitindo que montadoras e fornecedores utilizem a infraestrutura para testes, simulações, homologações e validações de componentes e sistemas.

O avanço ocorre em um momento decisivo para a indústria automotiva global. A transformação tecnológica do setor, impulsionada por eletrificação, inteligência artificial, conectividade e automação, vem pressionando montadoras e fornecedores a reduzirem ciclos de desenvolvimento e aumentarem a capacidade de validação local.

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