Uma nova etapa da digitalização das frotas brasileiras está sendo desencadeada pela pressão por redução de acidentes no transporte rodoviário de cargas. Depois da expansão da telemetria e do monitoramento em tempo real, transportadoras e embarcadores passaram a investir em sistemas capazes de interferir diretamente na condução dos veículos em áreas consideradas críticas.
O movimento ganha força principalmente em operações portuárias, mineração, agronegócio, siderurgia e grandes centros logísticos, onde o aumento da circulação de veículos pesados, equipamentos de movimentação e pedestres elevou a preocupação com segurança operacional e continuidade das operações.
Uma dessas iniciativas vem da Volvo, que passou a oferecer no Brasil o Safety Zones, sistema conectado que reduz automaticamente a velocidade dos caminhões em zonas previamente definidas pelas transportadoras. A tecnologia estará disponível por assinatura nos modelos 2026 das linhas FH, FM e FMX e poderá ser configurada remotamente por gestores de frota por meio da plataforma Volvo Connect.
O recurso utiliza GPS e conectividade embarcada para criar cercas virtuais nas rotas. Ao entrar em áreas previamente delimitadas, o veículo reduz automaticamente a velocidade por meio da atuação do freio-motor e da limitação da aceleração.
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Segurança deixa de depender apenas do motorista
Na prática, o sistema permite definir limites específicos para áreas como terminais portuários, centros de distribuição, plantas industriais e minas. A intervenção ocorre automaticamente, independentemente da ação do motorista.
Segundo Jeseniel Valério, gerente de engenharia de vendas da Volvo, o objetivo é ampliar a segurança em ambientes com circulação intensa de veículos e pessoas. “O motorista pode se concentrar na condução do veículo em áreas de movimento intenso, com um apoio auxiliar para não exceder os limites de segurança”, afirmou.
O avanço desse tipo de solução mostra uma mudança no perfil das tecnologias embarcadas utilizadas pelo transporte pesado. Até poucos anos atrás, os sistemas conectados estavam concentrados em rastreamento, controle de combustível, localização e monitoramento do comportamento do condutor.
Agora, as plataformas embarcadas começam a assumir funções de atuação ativa sobre a operação. Na prática, a telemetria deixa de apenas registrar desvios para também interferir diretamente na condução em situações previamente programadas pelas empresas.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de incorporação de recursos de automação e assistência à condução no transporte pesado, incluindo frenagem autônoma, controle adaptativo de velocidade, monitoramento de fadiga e sistemas inteligentes de prevenção de acidentes.
Pressão do custo dos acidentes
O interesse crescente por sistemas de intervenção automática também está ligado ao aumento dos custos associados aos acidentes rodoviários. Além das perdas humanas, sinistros envolvendo caminhões afetam disponibilidade da frota, produtividade, contratos logísticos, manutenção e despesas com seguros. Em operações industriais e de mineração, acidentes podem interromper fluxos de abastecimento e comprometer operações inteiras.
Segundo a CNT, os acidentes nas rodovias brasileiras geram prejuízos bilionários ao país todos os anos, impactando custos logísticos e eficiência operacional.
A pressão por redução desses riscos também vem dos embarcadores. Empresas de mineração, logística industrial e operações portuárias passaram a ampliar exigências relacionadas a compliance operacional, segurança e metas ESG nos contratos logísticos. “Um sistema de controle de velocidade independente da ação do motorista é uma demanda antiga de vários transportadores”, afirmou Leandro Brito, gerente de desenvolvimento de serviços da Volvo.
Conectividade ganha peso estratégico
O lançamento do Safety Zones faz parte da estratégia da Volvo de ampliar o uso de conectividade e automação nas operações de transporte pesado. No início deste ano, a montadora anunciou um ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões na América Latina até 2028, com foco em tecnologia, conectividade, serviços e desenvolvimento de soluções voltadas à eficiência operacional e segurança.
A companhia também informou ter alcançado a marca de um milhão de veículos conectados globalmente, ampliando a capacidade de monitoramento remoto e gestão de dados operacionais das frotas.
Na avaliação da montadora, operações de mineração, logística industrial, agronegócio e portos devem concentrar parte importante da demanda por tecnologias de intervenção eletrônica, impulsionadas pelo aumento das exigências de segurança e controle operacional.
A expansão dessas soluções mostra que a conectividade embarcada começa a assumir um papel que vai além da gestão de frota. Em vez de atuar apenas no monitoramento de veículos e consumo, os sistemas digitais passam a integrar diretamente a estratégia de segurança operacional das transportadoras.
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