A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Irã e Israel, já começa a provocar impactos relevantes sobre os custos logísticos globais e pressiona os preços do diesel na América do Sul. O aumento das incertezas sobre o abastecimento internacional de petróleo reacendeu a volatilidade no mercado de energia e colocou em alerta setores fortemente dependentes do transporte rodoviário na região.
Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), com base em dados da Global Petrol Prices, mostra que os efeitos da crise geopolítica ocorrem de forma desigual entre os países sul-americanos, refletindo diferenças de política energética, regimes cambiais, subsídios governamentais e grau de dependência de importação de combustíveis refinados.
O Peru aparece como o país mais pressionado. Em abril de 2026, o diesel chegou a US$ 1,851 por litro, o maior patamar da América do Sul, acumulando alta de 64,5% desde fevereiro. A elevação ocorre em um contexto de maior exposição às oscilações internacionais e menor capacidade de amortecimento estatal sobre os preços finais.
Já Equador e Colômbia seguem entre os países com diesel mais barato da região, mantendo preços abaixo de US$ 1 por litro graças a mecanismos locais de controle e subsídios aos combustíveis. A Venezuela continua apresentando os menores preços nominais do continente devido ao forte controle estatal, embora o mercado local enfrente distorções de abastecimento e infraestrutura.
No Brasil, a alta acumulada de 19,6% no diesel reacende preocupações em toda a cadeia logística. O país possui uma das matrizes de transporte mais dependentes do modal rodoviário no mundo, com cerca de 65% da movimentação de cargas realizada por caminhões.
Nesse cenário, qualquer elevação relevante do combustível possui efeito quase imediato sobre os custos operacionais de transportadoras, operadores logísticos, agronegócio, indústria e varejo.
Em uma rota rodoviária média de aproximadamente 500 quilômetros, o diesel pode representar mais de 30% do custo operacional total. Em operações de longa distância ou em segmentos de menor margem, como transporte de commodities agrícolas e carga fracionada, o impacto tende a ser ainda maior.
Pressão sobre o frete
O avanço dos preços também aumenta a pressão sobre negociações de frete e contratos logísticos. Empresas vêm intensificando o uso de cláusulas de reajuste automático vinculadas ao preço do combustível, além de rever modelos de “should cost”, roteirização e estratégias de abastecimento.
A preocupação do mercado decorre principalmente do risco de interrupções no fornecimento global de petróleo caso o conflito no Oriente Médio se amplie. O foco está no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Uma eventual restrição parcial ou bloqueio da rota poderia desencadear nova disparada do barril de petróleo e elevar ainda mais os custos de diesel e derivados em mercados importadores, incluindo diversos países da América Latina.
Segundo análise do ILOS, os impactos vão além do combustível. O aumento do diesel tende a pressionar custos de produção, inflação de alimentos, preços industriais e tarifas de transporte, ampliando desafios para economias emergentes que já convivem com juros elevados e desaceleração econômica.
Seja como for, a atual crise reforça a necessidade de investimentos em eficiência logística, renovação de frota, diversificação energética e maior previsibilidade regulatória para reduzir a vulnerabilidade do transporte rodoviário às oscilações geopolíticas internacionais.
Ranking do diesel na América do Sul — abril de 2026
(preço médio por litro em dólar)
- Peru — US$ 1,851/litro
- Uruguai — US$ 1,74/litro
- Chile — US$ 1,62/litro
- Brasil — US$ 1,41/litro
- Argentina — US$ 1,29/litro
- Paraguai — US$ 1,18/litro
- Bolívia — US$ 1,05/litro
- Colômbia — US$ 0,98/litro
- Equador — US$ 0,92/litro
- Venezuela — abaixo de US$ 0,10/litro
Além dos preços absolutos, o levantamento mostra que Peru e Brasil estão entre os países mais sensíveis às oscilações internacionais devido à dependência do modal rodoviário e à exposição ao mercado global de derivados de petróleo.
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