Maersk e Asia Shipping avançam no ranking de operadores de transporte marítimo em 2026

Dados da DataLiner analisados por Transporte Moderno mostram crescimento desigual entre operadores, avanço dos integradores globais e mudanças no fluxo de contêineres no Brasil e Cone Sul

Aline Feltrin

O primeiro trimestre de 2026 confirma um movimento de reconfiguração relevante no mercado de operadores de transporte marítimo internacional (OTIs) que atuam no Brasil e no Cone Sul. O levantamento da DataLiner, base de dados da Datamar, indica crescimento moderado do fluxo total, mas com forte redistribuição de participação entre grandes integradores globais, operadores regionais e novos entrantes.

No Brasil, o volume total de exportações em contêineres somou 226,3 mil TEUs no período, alta de 3,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Já as importações avançaram 9,4%, para 573,1 mil TEUs, sinalizando maior pressão da demanda interna por cargas internacionais.

Na liderança das exportações brasileiras, a Allog manteve a primeira posição com 17,05 mil TEUs, crescimento de 50,8% na comparação anual. Em seguida aparecem ES Logistics e Kuehne + Nagel, ambos com participação estável, ainda que com trajetórias distintas: enquanto a primeira recuou 3,6%, a multinacional alemã avançou 2%.

O movimento mais relevante no topo do ranking, porém, é a expansão de grandes integradores globais como DSV e DHL, que registraram altas de 40,4% e 9,3%, respectivamente, refletindo ganho de escala em contratos corporativos e maior concentração de cargas.

Também chama atenção o salto de operadores como Maersk, que mais que dobrou o volume exportado no período, e a forte expansão de players regionais e híbridos, como AMTrans e CSA do Brasil.

Apesar da consolidação no topo, o ranking revela forte volatilidade entre operadores médios. Empresas como Expeditors e Intermar registraram quedas relevantes, enquanto outras, como SMX Logistics e Interlog, cresceram acima da média do mercado.

Essa oscilação sugere um ambiente mais competitivo e sensível à perda de contratos pontuais, especialmente em segmentos industriais com demanda irregular.

“O mercado está mais dinâmico e menos previsível, com clientes buscando múltiplos fornecedores e maior flexibilidade de custo”, aponta um executivo do setor logístico ouvido pela reportagem.

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Importações crescem mais rápido

No lado das importações brasileiras, o crescimento mais acelerado reforça a pressão sobre a cadeia logística. O destaque é o avanço de ES Logistics (+38,1%) e de operadores especializados em cargas industriais e consumo.Asia Shipping segue liderando o ranking de importação, apesar de queda de 11,1% no volume, o que indica perda de participação relativa em um mercado que se expandiu.

Entre os grandes players globais, Kuehne + Nagel e DSV também apresentam retração leve, enquanto DHL avança quase 20%, beneficiada por maior diversificação de carteira.

Na Argentina, o cenário é mais volátil, com crescimento expressivo de operadores menores e forte oscilação entre grandes grupos. O volume total de exportações do país ficou praticamente estável, mas com mudança significativa de liderança entre OTIs.

No Paraguai e Uruguai, por outro lado, o crescimento foi mais robusto: alta de 34,7% nas exportações e 22,1% nas importações, com destaque para operadores como Kuehne + Nagel, Cargopack e FCL Paraguai, além de forte expansão de players locais.O conjunto dos dados reforça duas tendências centrais no setor: a consolidação dos grandes integradores globais e a fragmentação crescente entre operadores médios e regionais.

Ao mesmo tempo, o avanço de empresas com forte componente digital e modelos mais leves de operação indica uma disputa crescente por eficiência e custo, em um ambiente de margens pressionadas e maior exigência dos embarcadores.

De acordo com a Datamar, o cenário aponta para uma nova fase da logística marítima na América do Sul, marcada por concentração no topo, volatilidade no meio da cadeia e intensificação da competição por escala e tecnologia.

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