A Latam Airlines Brasil deve anunciar na segunda quinzena de junho os primeiros destinos que serão operados com sua nova frota de jatos E195-E2, da Embraer. A iniciativa marca um passo relevante na estratégia de expansão doméstica da companhia, que busca ampliar sua presença em aeroportos menores e, ao mesmo tempo, ganhar eficiência operacional em um cenário de custos pressionados.
Segundo o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, a definição final das rotas ainda está em andamento, mas a empresa já avalia mais de 30 possíveis destinos. A expectativa é que, junto com o anúncio, sejam abertas as vendas das passagens. As operações com os novos jatos estão previstas para começar no último trimestre de 2026.
Com capacidade para cerca de 136 passageiros, o E195-E2 será posicionado como um complemento à atual frota da companhia, hoje concentrada em aeronaves da família Airbus A320, com capacidade entre 144 e 180 assentos. Na prática, o novo modelo permitirá maior flexibilidade na escolha de rotas, com potencial tanto para abrir mercados inéditos quanto para otimizar operações já existentes.
“O E2 entra de forma natural na rede da Latam. Ele permite operar em aeroportos onde hoje não conseguimos atuar com eficiência e também ajustar capacidade em rotas já consolidadas”, afirmou Cadier.
A estratégia não representa uma mudança estrutural na malha aérea, mas sim um ajuste fino. A aeronave poderá substituir modelos maiores em determinadas rotas, aumentar frequências e melhorar a oferta de horários, elevando a rentabilidade das operações.
Além disso, a companhia vê no novo jato uma oportunidade para ampliar sua presença no interior do país. O modelo viabiliza operações em aeroportos menores que hoje não comportam, do ponto de vista econômico, aeronaves maiores — um movimento que pode destravar até 35 novos destinos no Brasil ao longo dos próximos anos.
Crescimento com pressão de custos
A expansão ocorre em um momento de resultados operacionais robustos, mas sob crescente pressão de custos, especialmente com combustível. No primeiro trimestre de 2026, a Latam reportou lucro líquido de US$ 576 milhões, com margem operacional ajustada de 19,8% e EBITDA de US$ 1,3 bilhão — alta de 36,7% na comparação anual.
A companhia transportou 22,9 milhões de passageiros no período, avanço de 9,1%, enquanto a taxa de ocupação atingiu 85,3%. No mercado doméstico brasileiro, o desempenho foi ainda mais forte, com crescimento de 13,2% no número de passageiros e alta de 17,1% na receita unitária.
Parte relevante desse resultado veio da melhora no perfil de receita. O segmento premium ganhou participação e já responde por cerca de 27% da receita total de passageiros, sustentando margens mesmo em um ambiente de custos elevados.
Ainda assim, o combustível passou a ser o principal fator de risco para o restante do ano. O impacto já somou cerca de US$ 40 milhões no primeiro trimestre, mas pode superar US$ 700 milhões no segundo, caso os preços se mantenham entre US$ 150 e US$ 170 por barril — bem acima da estimativa anterior de US$ 90.
No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. O querosene de aviação (QAV) pode custar até o dobro do registrado em outros mercados, pressionado pela política de paridade internacional, câmbio e limitações logísticas e de refino. O combustível representa entre 30% e 40% dos custos das companhias aéreas no país.
Expansão com disciplina
Apesar do ambiente mais adverso, a Latam mantém uma posição financeira considerada sólida. A liquidez encerrou o trimestre em US$ 4,1 bilhões, com alavancagem líquida de 1,3 vez. A empresa também revisou seu guidance, adotando premissas mais conservadoras diante da volatilidade do mercado.
A introdução dos jatos da Embraer se insere nesse contexto como uma alavanca de eficiência. Ao permitir melhor adequação de capacidade, maior frequência de voos e acesso a novos mercados, o E195-E2 tende a reforçar o equilíbrio entre crescimento e rentabilidade.
“A estratégia não muda radicalmente, mas amplia nossa capacidade de crescer com mais eficiência”, resumiu Cadier.
Com isso, a Latam avança em um modelo de expansão mais seletivo, combinando aumento de oferta com disciplina de custos — um movimento que deve definir o ritmo do setor aéreo brasileiro ao longo de 2026.
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