De Mogi das Cruzes (SP)
A Azul Linhas Aéreas iniciou uma nova fase de sua estratégia de crescimento ao transformar a Azul Cargo em Azul Logística, movimento que amplia a atuação da companhia para além do transporte aéreo e reforça a aposta em operações multimodais, última milha e serviços integrados como pilares de expansão após a saída do Chapter 11 nos Estados Unidos, que ocorreu em fevereiro de 2026, encerrado em menos de um ano.
A mudança ocorre em um momento de reorganização financeira e operacional da companhia. Segundo Daniel Bicudo, vice-presidente comercial e de negócios da Azul, o grupo projeta alcançar R$ 27 bilhões em vendas em 2026.
“A Azul Cargo vai crescer muito porque vem ganhando complexidade e densidade em uma velocidade que não imaginávamos”, afirmou o executivo durante apresentação da companhia.
A nova estrutura transforma a unidade de cargas em uma operação mais ampla, integrando transporte aéreo, rodoviário e marítimo sob a marca Azul Logística. A estratégia inclui expansão da frota cargueira, aumento da presença internacional e fortalecimento das operações de primeira, segunda e última milha.
Em 2025, a companhia transportou aproximadamente 21,6 milhões de volumes. Atualmente, opera duas aeronaves cargueiras dedicadas Airbus A321F, com capacidade de cerca de 25 toneladas por voo, além de utilizar mais de 200 aeronaves da frota de passageiros para transporte de cargas nos compartimentos inferiores.
O plano prevê ampliar a frota dedicada para seis cargueiros até o final de 2027. Segundo a companhia, duas aeronaves adicionais chegam em 2026 e outras duas em 2027.
A operação passa a atender mais de 5.100 municípios brasileiros, cobrindo cerca de 96% do território nacional, além de presença em 47 países. A Azul Logística mantém operações internacionais regulares para mercados como Argentina e Chile e anunciou recentemente uma nova rota para Lima, no Peru.
Diversificação vira prioridade
A reorganização da Azul ocorre após a companhia concluir seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. Segundo Bicudo, a entrada no Chapter 11 foi planejada de forma estruturada, já com credores e parceiros estratégicos alinhados previamente, o que permitiu uma saída rápida do processo, em menos de um ano.
“O grau de alavancagem era tão grande que não gerávamos riqueza. Hoje a gente gera fluxo de caixa, gera resultado”, afirmou.
O executivo destacou que a empresa abandonou a estratégia anterior de crescimento acelerado, considerada insustentável diante da pressão financeira. Segundo ele, a Azul vinha registrando expansão anual entre 15% e 40% em algumas unidades de negócio, movimento impulsionado pela necessidade de honrar compromissos financeiros e serviço da dívida.
Agora, o foco passa a ser rentabilidade e diversificação das receitas. “A gente não vai crescer em RPK neste ano”, disse Bicudo, referindo-se ao indicador de passageiros transportados por quilômetro. “O crescimento virá da diversificação.”
Segundo o executivo, aproximadamente 40% da rentabilidade do grupo já é gerada pelas unidades de negócios ligadas à diversificação, incluindo logística, turismo e serviços complementares.
Combustível pressiona operação
A pressão do combustível segue como principal desafio para o setor aéreo. Segundo Bicudo, o querosene de aviação representa cerca de 60% dos custos da companhia, em um cenário agravado pelas tensões geopolíticas envolvendo Oriente Médio e o estreito de Ormuz.
“Nossa estratégia é elevar tarifas gradativamente, acompanhando o comportamento das outras companhias. Um dia é a Azul que sobe, outro dia a Gol, depois a Latam acompanha. Não é sustentável operar de outra forma”, afirmou.
A companhia também iniciou um processo de racionalização da frota, retirando aeronaves mais antigas e menos eficientes em consumo de combustível.
Segundo Bicudo, a saída do Chapter 11 ocorreu poucos dias antes da escalada das tensões envolvendo Irã e Estados Unidos, o que evitou impacto adicional sobre a renegociação financeira.
Corte de custos e revisão interna
Paralelamente à expansão da logística, a Azul deu corpo a uma ampla revisão interna de contratos, processos e estrutura administrativa.
Segundo Bicudo, mais de 1.200 contratos foram revisados ou cancelados ao longo do processo de reorganização. A companhia também reestruturou áreas financeiras, processos de contas a pagar, tesouraria, centros de custo e gestão operacional.
“A empresa cresceu muito rápido. Agora está olhando para dentro e reorganizando processos”, afirmou.
No operacional, a companhia também reduziu serviços de bordo e simplificou parte da experiência do passageiro como forma de preservar caixa e reduzir despesas.
“A única coisa que fizemos de redução de custo foi olhar serviço de bordo, snack, fone de ouvido, essas coisas”, disse.
Frota e expansão internacional
A Azul também trabalha na recomposição gradual da frota internacional. Segundo Bicudo, a companhia receberá aeronaves Airbus A330 provenientes da American Airlines, com potencial de ampliação futura da operação.
Ao mesmo tempo, a Azul Logística amplia sua presença internacional com novas rotas e aumento de frequências na América do Sul. Além da nova rota para Lima, no Peru, a companhia reforça operações regionais e amplia a capilaridade doméstica da malha logística.
Segundo Izabel Reis, diretora da Azul Logística, a mudança de marca reflete a evolução da unidade de cargas para um modelo mais integrado de soluções logísticas.
“Começamos a perceber dentro da própria operação que a nossa unidade de cargas tinha potencial para ir além do transporte aéreo. A Azul Logística nasce desse olhar para dentro, com a proposta de integrar soluções e atender cada cliente de forma mais completa”, afirmou.
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