Combitrans aposta em balsas híbridas, com ampliação da operação no Norte

Empresa integra modais, investe em energia solar e mira expansão logística

Valeria Bursztein

A Combitrans iniciou um movimento de diversificação de suas operações ao ampliar a integração entre transporte rodoviário e fluvial, investir em engenharia naval com foco em eficiência energética e estruturar novas frentes em armazenagem e logística internacional. A estratégia busca reduzir a dependência de grandes contratos industriais e posicionar a empresa como operador logístico multimodal em um ambiente de pressão por custos e descarbonização.

Com 23 anos de atuação, a companhia nasceu vinculada à operação da Honda na Zona Franca de Manaus — cliente que ainda concentra cerca de 70% da operação fluvial — e, nos últimos dois anos, passou a ampliar a base de embarcadores. Hoje atende empresas como Heineken e Alcoa e negocia contratos com grupos industriais e de energia.

Hidrovia amazônica: crescimento e novos operadores

A aposta no modal fluvial ocorre em um momento de maior relevância das hidrovias no país, especialmente na região Norte. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários mostram que as bacias Amazônica e Tocantins–Araguaia movimentaram cerca de 107 milhões de toneladas de cargas, concentrando aproximadamente 89% de todo o transporte hidroviário nacional .

A região também concentra cerca de 80% das vias navegáveis economicamente utilizadas no Brasil, o que explica a centralidade do modal para o abastecimento e para a logística do Polo Industrial de Manaus .

Esse volume inclui desde granéis agrícolas — soja e milho respondem por cerca de metade da carga — até contêineres e insumos industriais, que dependem da navegação fluvial para conexão com o restante do país. É nesse corredor que a Combitrans concentra sua operação, na hidrovia Solimões–Amazonas, considerada o principal eixo logístico da região.

Integração rodo-fluvial

O modelo da empresa combina navegação fluvial com distribuição rodoviária, eliminando o embarque de caminhões nas balsas e priorizando o transporte direto da carga. A companhia opera cerca de 20 embarcações, com capacidade total próxima de 65 mil toneladas.

A proposta busca aumentar a taxa de ocupação e reduzir custos logísticos, além de mitigar riscos associados às rodovias da região Norte. Segundo a empresa, a operação pode reduzir em até 50% as emissões de carbono em determinadas rotas.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla de embarcadores que buscam alternativas ao transporte rodoviário puro, pressionado por custos de combustível e limitações de infraestrutura.

Nova geração de balsas

No eixo de investimentos, a Combitrans desenvolve uma nova geração de balsas com foco em desempenho e eficiência energética. O projeto mais avançado prevê embarcações com casco mais hidrodinâmico, capazes de reduzir o tempo de viagem entre Manaus e Belém de sete para quatro dias.

O diferencial está na adoção de sistemas híbridos de propulsão, com integração de energia solar às embarcações, além do uso de biodiesel e estudos para motorização mais eficiente. Em uma etapa posterior, a empresa avalia modelos com maior autonomia operacional, reduzindo a dependência de empurradores.

A iniciativa acompanha a pressão por descarbonização na logística e reforça o papel do transporte fluvial como alternativa de menor intensidade de carbono, especialmente em rotas de longa distância.

Armazenagem e expansão geográfica

A estratégia inclui ainda a ampliação da infraestrutura de armazenagem. Hoje concentrada em Manaus e Belém — onde a empresa opera armazéns, inclusive alfandegados —, a rede deve avançar para as regiões Sudeste e Sul.

O objetivo é estruturar hubs logísticos integrados, ampliando o controle sobre a cadeia e oferecendo soluções completas de coleta, armazenagem e distribuição.

No médio prazo, a empresa planeja avançar para operações internacionais, com foco no Mercosul, combinando transporte rodoviário e fluvial.

Reconfiguração logística

A expansão da Combitrans ocorre em um momento de reconfiguração das cadeias logísticas no Brasil, impulsionada por fatores como custo do diesel, exigências ambientais e necessidade de maior previsibilidade operacional.

Nesse cenário, as hidrovias do Norte ganham relevância não apenas pelo volume transportado, mas pela capacidade de reduzir custos e emissões em rotas de longa distância. Ao investir em integração de modais, engenharia e eficiência energética, a empresa tenta capturar essa demanda e ampliar sua atuação além da base industrial que originou o negócio.

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