CS Portos reduz custo logístico do Matopiba

Nova operação em Aratu encurta rotas, amplia capacidade e reposiciona a Bahia no agronegócio

Valeria Bursztein

A CS Portos iniciou uma nova fase operacional no Porto de Aratu (BA) após concluir investimentos superiores a R$ 900 milhões nos terminais ATU 12 e ATU 18. Com a entrada do ATU 18 na operação de granéis sólidos vegetais, o complexo passa a disputar cargas do Matopiba e amplia sua participação no escoamento de grãos pelo Nordeste.

O início das operações ocorreu em março, com o embarque de 35 mil toneladas de sorgo, seguido por um navio com 57 mil toneladas de soja em abril. As cargas são oriundas do oeste baiano, região que até então dependia majoritariamente de outros portos para exportação.

“A entrada do ATU 18 na operação de grãos representa um avanço importante para a logística da região Nordeste”, afirma Marcos Tourinho, diretor-presidente da CS Portos.

Infraestrutura altera rota de exportação do Matopiba

O Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) se consolidou como uma das principais fronteiras agrícolas do país, com crescimento acelerado da produção de grãos nos últimos anos. Esse avanço tem pressionado a infraestrutura logística e ampliado a disputa entre portos do Norte e Nordeste pelo escoamento dessas cargas.

Segundo a companhia, cerca de 1,2 milhão de toneladas produzidas no oeste da Bahia deixavam de ser exportadas pelo estado por falta de infraestrutura. Com a nova estrutura, parte desse volume passa a ser direcionado para Aratu, reduzindo distâncias e custos logísticos. “A carga que antes saía por outros estados agora passa a sair pela Bahia”, afirma Ítalo Leão, diretor de Operações da CS Portos.

A nova rota encurta em cerca de 800 quilômetros o trajeto em relação a alternativas como o Porto de Itaqui (MA), reduzindo o custo do frete em aproximadamente R$ 20 por tonelada e diminuindo o tempo de transporte. O movimento tende a redistribuir fluxos no Nordeste e aliviar corredores já saturados.

Escala e armazenagem

Os investimentos ampliaram significativamente a capacidade dos ativos. No ATU 12, a movimentação saltou para até 6 milhões de toneladas por ano, com produtividade de até 15 mil toneladas por dia. Já o ATU 18 inicia operação com capacidade estática de 120 mil toneladas e potencial de movimentar até 3 milhões de toneladas de grãos em 2026.

Um dos diferenciais está na estrutura de armazenagem dentro da área alfandegada. O terminal conta com quatro silos de 30 mil toneladas cada, totalizando 120 mil toneladas de capacidade estática. “Quando iniciamos o projeto, seriam três silos, mas ampliamos para quatro durante a obra para atender à demanda do mercado”, afirma Leão.

Segundo o executivo, a capacidade de armazenagem permite ao exportador retirar rapidamente a produção das fazendas e organizar o fluxo logístico com mais previsibilidade, reduzindo a pressão sobre o porto durante períodos de pico e condições climáticas adversas.

Os terminais operam ainda com equipamentos eletrificados, incluindo descarregadores e correias transportadoras, o que reduz o uso de combustíveis fósseis e aumenta a eficiência energética.

Apesar dos avanços, a operação ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário. A ferrovia que atende o porto, operada pela FCA, apresenta limitações operacionais e de capacidade, o que restringe a diversificação modal. Para mitigar gargalos, a CS Portos estruturou um pátio de triagem a cerca de 8 quilômetros do porto, que tem contribuído para organizar o fluxo de caminhões e reduzir tempos de espera.

Novos serviços

Além da movimentação portuária, a companhia passa a explorar novos serviços logísticos para capturar valor na cadeia. Um dos modelos inclui o ensacamento de fertilizantes dentro da área alfandegada, permitindo que a carga saia diretamente do porto para o destino final. “É um serviço novo na região, que tem sido bem visto pelos clientes”, diz Leão.

A estratégia da CS Infra, controladora da CS Portos, inclui a ampliação da presença em outros ativos. A companhia venceu recentemente o leilão de um terminal em Santana (AP), onde pretende operar grãos e cavaco de madeira. Localizado às margens do Rio Amazonas e com acesso facilitado ao Oceano Atlântico, o porto é considerado um dos principais corredores logísticos do Amapá e da região do Arco Norte. A proximidade com os mercados da América do Norte, Europa e África reduz prazos e custos logísticos, tornando o terminal estratégico para as exportações brasileiras.

Em 2025, o porto movimentou 3,6 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 17,3% frente ao ano anterior, segundo dados da Antaq. “A CS Portos não veio só para investir em Aratu. A ideia é expandir para outros ativos”, concluiu Leão.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]

Newsletter O que move o mercado, primeiro para você

Receba as principais notícias, análises e tendências do transporte moderno diretamente no seu e-mail e acompanhe atualizações em tempo real pelo nosso canal oficial.