O leilão do Tecon Santos 10, projeto considerado estratégico para ampliar a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos, dificilmente será concluído ainda em 2026. A avaliação é do CEO da Santos Brasil, Antônio Carlos Sepúlveda, que também alertou para o risco de gargalos operacionais no maior complexo portuário do país até a entrada em operação do novo terminal, prevista apenas para o início da próxima década.
A declaração foi feita durante painel do Santos Export, realizado nesta quinta-feira (28), no Guarujá. Segundo o executivo, o estágio atual das discussões sobre a modelagem do projeto, somado ao calendário eleitoral, reduz significativamente as chances de realização do certame neste ano. “Do jeito que a discussão está colocada, acho muito difícil que se conclua esse ano o leilão”, afirmou.
Debate sobre a modelagem
O projeto do Tecon Santos 10 enfrenta divergências em relação ao modelo de concessão. Entre os principais pontos em discussão estão as regras de participação de operadores já instalados no Porto de Santos e o grau de abertura do terminal ao mercado.
Para Sepúlveda, o debate tem sido marcado por interesses conflitantes entre diferentes agentes do setor. “Há uma guerra de narrativas. É preciso que prevaleça o interesse do ecossistema portuário e da carga”, disse.
Embora o governo federal mantenha a expectativa de realizar o leilão ainda neste ano, o processo depende da conclusão das análises conduzidas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários e pelo Tribunal de Contas da União.
Pressão sobre a capacidade
Além das incertezas em torno do cronograma do leilão, o executivo chamou atenção para o tempo necessário para que o terminal efetivamente entre em operação.
Segundo Sepúlveda, mesmo após a realização do certame, serão necessários cerca de dois anos para assinatura de contrato, obtenção das licenças e início das obras. A previsão é que o terminal comece a operar apenas entre 2031 e 2032. “Precisaremos de alternativas antes disso, ou as cargas podem migrar para outros portos. Teremos anos de pressão no segmento de contêineres”, alertou.
A preocupação do executivo se justifica pelo crescimento contínuo da movimentação de contêineres no porto santista. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o complexo movimentou 1,4 milhão de TEUs, volume recorde para o período e 3,6% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025. Em março, foram movimentados 485 mil TEUs, alta de 5,4% na comparação anual.
Os números reforçam a pressão sobre a infraestrutura portuária em um cenário de expansão do comércio exterior e de aumento das escalas de navios de maior porte. O Porto de Santos responde por cerca de 28% da corrente comercial brasileira e concentra a maior movimentação de contêineres da América Latina.
Nesse contexto, o Tecon Santos 10 é considerado um dos principais projetos de infraestrutura logística do país. A expectativa do setor é que o novo terminal acrescente cerca de 3,5 milhões de TEUs por ano à capacidade de movimentação do porto, ampliando em aproximadamente 50% a capacidade atual do complexo.
Para operadores, armadores e embarcadores, a preocupação é que o crescimento da demanda avance em ritmo superior à expansão da infraestrutura disponível. O receio é de aumento da ocupação dos terminais, maior pressão sobre acessos rodoviários e ferroviários, elevação dos custos logísticos e risco de perda de competitividade para outros portos brasileiros.
O painel também contou com a participação do diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini; do CEO da DP World no Brasil, Fabio Siccherino; e do superintendente de Projetos Portuários e Aquaviários da Infra S.A., Fernando Corrêa dos Santos.
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