A Norcoast acelera sua estratégia de expansão com a entrada no Porto de Salvador (BA), em um movimento que combina ganho de capilaridade logística, atração de novas cargas e reforço do papel da cabotagem na matriz de transporte brasileira.
A nova escala, prevista para começar no fim de maio, marca a chegada da companhia a um mercado considerado estratégico dentro do plano de crescimento. Em entrevista à Agência Transporte Moderno, a CFO Maria Gimena Scott afirma que o avanço no Nordeste é parte central da consolidação da empresa, criada há cerca de dois anos.
“Estamos em expansão desde o início. No ano passado, entramos em Santa Catarina, que foi um mercado muito relevante, e agora avançamos para o Nordeste com Salvador. Pela localização, é um porto estratégico tanto para carga doméstica quanto para feeder”, diz.
No modelo feeder, navios menores fazem a redistribuição de cargas que chegam do exterior em embarcações de longo curso, conectando portos regionais a grandes rotas internacionais. Na prática, isso amplia a eficiência logística e reduz custos ao evitar escalas de navios maiores em múltiplos destinos.
A escolha por Salvador reflete não apenas a posição geográfica, mas também o potencial industrial e logístico do entorno, com destaque para o Polo Industrial de Camaçari, um dos principais complexos industriais do país.
A operação também amplia a integração com portos já atendidos pela companhia, como Porto de Santos, Porto de Paranaguá, Porto de Itajaí, Porto de Suape, Porto do Pecém e Porto de Manaus.
Segundo Scott, a entrada no novo mercado ocorre após um período de prospecção comercial. “Já estamos conversando com clientes em Salvador há algum tempo. Muitos deles já são nossos parceiros em outras rotas, o que deve acelerar a maturação da operação”, afirma.
A expansão geográfica é um dos pilares para sustentar o crescimento da companhia. Sem abrir números absolutos, a executiva afirma que a Norcoast pretende manter, em 2026, o ritmo de expansão dos últimos anos.
“A gente vem crescendo dois dígitos todo ano e a expectativa é repetir isso em 2026. A entrada em novos mercados ajuda bastante, mas também seguimos crescendo nos portos onde já atuamos”, diz.
Além de Salvador, a empresa mantém foco em outras frentes no Nordeste, como Complexo Industrial de Suape e Complexo Industrial e Portuário do Pecém, e na consolidação de operações no Sul, iniciadas em 2025.
Cabotagem ainda tem espaço para avançar
Apesar da expansão, Scott avalia que a cabotagem ainda ocupa um espaço reduzido no Brasil frente ao potencial do país. “A cabotagem ainda é muito pequena considerando a costa brasileira. O potencial é gigante. Parte do desafio é que ainda existe muito desconhecimento sobre o modal”, afirma.
Segundo ela, muitas empresas ainda veem a cabotagem como uma operação complexa, o que dificulta a migração de cargas do rodoviário. “Tem companhias que acham que vai dar mais dor de cabeça do que o transporte rodoviário, e não é o caso. A gente tem como missão simplificar esse processo.”
Dados da ANTAQ mostram que a cabotagem movimentou mais de 300 milhões de toneladas em 2025, com crescimento relevante no Nordeste — ainda assim, um volume considerado abaixo do potencial logístico do país.
A conversão de clientes para o modal marítimo, segundo a executiva, ocorre de forma progressiva. “Eles testam primeiro, depois ampliam. Temos vários casos de sucesso de empresas que começaram com uma parte da carga e, aos poucos, migraram volumes maiores para a cabotagem”, afirma.
Nesse contexto, a entrada em Salvador deve funcionar como um catalisador para novos fluxos logísticos, tanto domésticos quanto integrados ao comércio exterior. Para a Norcoast, o avanço no Nordeste vai além da expansão territorial. Trata-se de um movimento para ganhar escala, educar o mercado e reposicionar a cabotagem como alternativa competitiva ao transporte rodoviário em um país com forte vocação marítima.
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