Guerra no Oriente Médio eleva frete aéreo em até 20%

Cancelamento de 3 mil voos, alta do combustível e redução de capacidade pressionam custos logísticos globais

Aline Feltrin

A guerra no Oriente Médio já provoca impacto direto no transporte aéreo de cargas. Segundo René Genofre, diretor do departamento aéreo da Allog, o custo do frete internacional subiu entre 15% e 20% nos últimos dias, refletindo cancelamentos de voos, alta do combustível e redução da oferta global.

A Allog é uma empresa brasileira de logística internacional que atua como agente de cargas (freight forwarder), organizando operações de transporte aéreo e marítimo para indústrias como automotiva, alimentos, bens de consumo e tecnologia.

Desde a madrugada do dia 28 de fevereiro, cerca de 3 mil voos foram cancelados nos principais hubs do Golfo, como Dubai, Doha e Abu Dhabi, além de restrições na Arábia Saudita. A região responde por aproximadamente 18% da capacidade global de carga aérea e funciona como ponto estratégico de conexão entre Ásia, Europa, Estados Unidos e América do Sul.

“O impacto é estrutural. Para cada dia de conflito, serão necessários de cinco a dez dias para limpar o backlog de cargas acumuladas”, afirma Genofre.

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Capacidade menor e rotas alternativas

No corredor Ásia–Europa, principal eixo de cargas que passa pelo Oriente Médio, a capacidade caiu 26%. Empresas têm buscado rotas alternativas via Europa, Estados Unidos e até África, o que aumenta tempo de trânsito e custo operacional.

Fretes partindo do sul da China, Taiwan, Índia e Bangladesh já estão 15% a 20% mais caros na comparação com a semana anterior. A Índia, por exemplo, teve redução de cerca de 60% na capacidade disponível devido à dependência dos hubs do Golfo para escoamento.

Além disso, aeronaves de companhias como Emirates e Qatar Airways permanecem retidas em países como Brasil e Argentina, dificultando o fluxo regular de cargas.

Combustível pressiona tarifas

Outro fator relevante é o combustível. Entre sexta-feira (27) e hoje, o barril do petróleo subiu de US$ 72,48 para quase US$ 84 — alta de 9,5%. O jet fuel avançou cerca de 10% no período. Como o combustível representa entre 40% e 50% do custo operacional das companhias aéreas, o impacto nas tarifas é imediato.

“As companhias estão deixando de ter receita com aeronaves paradas, mas continuam arcando com custos. O mercado ajusta preços rapidamente diante desse cenário”, afirma o executivo.

Atrasos e disputa por espaço

Além do frete mais caro, o tempo de trânsito está desorganizado. Cargas paradas em aeroportos com espaço aéreo fechado — como nos Emirados e no Líbano — só poderão embarcar após a reabertura, enfrentando disputa por espaço com itens prioritários, como medicamentos e perecíveis.

Mesmo após o fim do conflito, a normalização não será imediata. A capacidade voltará ao patamar anterior, mas não haverá aeronaves adicionais para absorver o volume acumulado.

A Allog estima que cerca de 10% de seu volume total utilize rotas via Oriente Médio. Na importação, predominam insumos automotivos e bens de consumo; na exportação, proteínas e frutas.

Risco adicional

Genofre alerta ainda para efeitos indiretos, como possível migração de cargas marítimas para o modal aéreo em caso de agravamento no Estreito de Ormuz.

“Se houver conversão do marítimo para o aéreo, a pressão sobre a capacidade será ainda maior, tornando difícil quantificar o impacto adicional no frete”, diz.

Segundo ele, o setor já operava sob pressão devido à alta demanda por semicondutores e cargas de alto valor agregado. A crise geopolítica apenas intensifica esse cenário e deve manter o mercado sob volatilidade nas próximas semanas.

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