Mercado de caminhões segue em ritmo forte

A venda de 15.318 veículos de janeiro a fevereiro, que representou crescimento de 11,8% sobre o mesmo período do ano passado, teve mais 50% de participação dos pesados e mais de 70% dos semipesados

O mercado de caminhões vem mantendo o bom desempenho, mesmo no momento desafiador que enfrenta o país com o agravamento da pandemia da Covid-19. Com 7.781 veículos vendidos em fevereiro o setor garantiu crescimento de 3,2% sobre janeiro deste ano (7.537 unidades) e um avanço de 21,4% sobre fevereiro de 2020, quando foram vendidos 6.412 veículos no país. “É um número bom, o que mostra que neste ritmo estável deve se manter o setor até o fim do ano”, analisou Marco Saltini, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), responsável por veículos pesados. Ele considerou as vendas de fevereiro como o melhor resultado desde 2014.

No acumulado de janeiro a fevereiro, com 15.318 veículos vendidos, o setor garantiu crescimento de 11,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram comercializados 13.697 veículos no país. “O setor vem se mantendo num ritmo adequado e muito estimulado pelo segmento de pesados, que teve mais 50% de participação, e semipesados, com mais de 70% de participação nas vendas no período, o que mostra que a força do agro tem puxado o volume de caminhões”, disse Saltini.

Do total de caminhões vendidos de janeiro a fevereiro, 7.318 unidades são de modelos pesados, 4.094 de semipesados, 1.527 de leves, 1.313 de médios e 1.066 de semileves.

A produção de 11.805 caminhões em fevereiro representou aumento de 37,9% sobre janeiro deste ano (8.560 unidades) e um crescimento de 29,3% sobre fevereiro do ano passado (9.131 unidades).

Saltini atribuiu o volume significativo de caminhões produzidos em fevereiro à tentativa das empresas de contornar os problemas logísticos e a falta de insumos, com a jornada de trabalho durante o carnaval, além de recuperar os estoques que baixaram muito no ano passado por causa da pandemia.

No acumulado de janeiro a fevereiro o setor fechou com 20.365 caminhões produzidos, avanço de 24,9% sobre o mesmo período de 2020. “Vale lembrar que em 2020 não tinha pandemia e teve o feriado de carnaval, o que justifica o volume maior de produção”, esclareceu Saltini.

Exportações – Nas exportações, mesmo com mercado internacional abalado pela pandemia da Covid-19, o setor de caminhões conseguiu bom desempenho. Em fevereiro, com o embarque de 1.958 veículos, garantiu crescimento de 42,9% sobre janeiro deste ano (1.370 unidades) e aumento de 118,3% sobre fevereiro de 2020, quando foram embarcados 897 veículos.

No período de janeiro a fevereiro as montadoras exportaram 3.328 caminhões, 85,9% a mais que no mesmo período do ano passado (1.790 veículos). Os caminhões pesados lideraram as vendas externas, com 1.340 unidades (59% a mais que janeiro e fevereiro de 2020), seguidos pelos semipesados, com 1.025 unidades (124,8% superior ao mesmo período do ano passado).

Em CKD (veículos desmontados) as montadoras exportaram 509 caminhões, 22% inferior aos 653 veículos que foram exportados de janeiro a fevereiro de 2020.

Apesar da instabilidade que a pandemia causou em todo o mercado brasileiro, Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea disse que não vai mudar a previsão feita para o setor automotivo, o qual considera ser muito conservadora. Para o mercado de caminhões a expectativa é de crescimento de 13%, com o emplacamento de 101 mil veículos.

Moraes também descartou a possibilidade de as montadoras suspenderem a produção por causa do agravamento da pandemia em todo o país, devido ao padrão de excelência que há nas fábricas em relação ao cuidado sanitário dentro das organizações. “O risco de parada das fábricas está mais ligado à falta de peças para a montagem dos veículos do que pela própria Covid-19. Mas, é preciso ficar atento porque temos uma doença invisível, que está se modificando com as variantes e não podemos subestimar. Se a gente não controlar a pandemia vamos ter meses difíceis pela frente”, alertou Moraes.

O presidente da Anfavea falou que a pandemia preocupa o setor automotivo, além do impacto que causará na sociedade e na economia do país. “A Anfavea nunca subestimou a gravidade e as consequências da Covid-19 quando começou a chegar ao Brasil”, frisou Moraes.

“Além de fechar as fábricas, as montadoras criaram protocolos de saúde, mudaram o formato de trabalhar, o transporte, o restaurante, o sistema de produção, os ambulatórios médicos e implantaram sistemas rígidos de controle da saúde. Estamos aumentando a comunicação com os funcionários sobre os cuidados que devem ter e com suas famílias e estamos ajudando a não sobrecarregar o sistema público de saúde”, disse o presidente da Anfavea.

Moraes também falou sobre a importância de se ter um programa coordenado e de trabalhar de forma conjunta para garantir a vacinação da população o mais rápido possível. “É melhor proteger, vacinar do que gastar dinheiro com abono emergencial e outras ações para recuperar a economia. É urgente a questão da pandemia e se a gente não tratar isso com seriedade e foco vamos ter dificuldades ainda maiores e isso pode afetar a economia como um todo”, orientou o presidente da Anfavea.

Ranking – No ranking de janeiro a fevereiro de 2021 a liderança ficou com a Mercedes-Benz, com venda de 4.821 caminhões, 13,7% a mais que nos dois meses de 2020 (4.240 unidades). O segundo lugar ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que vendeu 4.136 veículos, 18,1% a mais que no mesmo período do ano passado (3.503 unidades). Em terceiro lugar ficou a Volvo, com 2.400 veículos, seguida pela Scania com 1.398, a Iveco com 924 e DAF 640 veículos.

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