A BorgWarner planeja produzir no Brasil uma nova geração de baterias para veículos comerciais baseada em células Blade, fornecidas pela chinesa FinDreams, subsidiária da BYD. O projeto está em desenvolvimento há cerca de um ano e meio e já passou pela etapa de validação do conceito. A empresa agora trabalha nos testes e na engenharia dos produtos, mas ainda não definiu quando a fabricação começará no país.
Segundo Rezende, executivo da BorgWarner responsável pela área de eletrificação, a companhia desenvolveu a bateria em parceria com a FinDreams e utiliza as células Blade fornecidas pela empresa chinesa. Pelo acordo firmado entre as companhias, a BorgWarner tem exclusividade para utilizar essas células em aplicações de veículos comerciais fora da China.
“É uma bateria com o mesmo conceito da Blade”, afirmou Rezende. Segundo ele, a BorgWarner agrega seu próprio conhecimento em sistemas para veículos comerciais ao utilizar as células desenvolvidas pela parceira chinesa.
A empresa já estruturou a bateria em quatro modelos, com diferentes formatos para atender aplicações distintas. A proposta é cobrir desde veículos menores, utilizados principalmente em operações de última milha, até caminhões de maior porte destinados a operações de média e longa distância. Entre os formatos desenvolvidos estão versões compactas e cúbicas, de acordo com a aplicação e a capacidade necessária.
O desenvolvimento ocorre também fora do Brasil. A BorgWarner mantém trabalhos em seu centro tecnológico na China e, segundo Rezende, essa etapa deve ser concluída em breve. A companhia pretende utilizar o conhecimento desenvolvido globalmente para estruturar a produção nos diferentes mercados em que atua.
Produção no Brasil
A fabricação brasileira está incluída no planejamento estratégico da BorgWarner, mas a companhia ainda não estabeleceu uma data para o início da produção. A definição dependerá principalmente da evolução dos volumes e da contratação de projetos com as montadoras.
A empresa pretende trabalhar com uma linha de produção flexível, que possa começar atendendo a uma demanda inicial e ser ampliada conforme o mercado cresça. O investimento necessário para a produção local ainda não foi informado.
“Eu preciso entender os volumes, porque a linha que a gente está desenvolvendo é uma linha flexível. Então vai depender muito de que volume que a gente vai começar, porque a nossa ideia é que a gente possa ir escalando esse volume”, afirmou Rezende.
A estratégia também prevê a contratação de mão de obra especializada à medida que a produção avance, incluindo profissionais de engenharia e outras funções relacionadas à fabricação de produtos de maior conteúdo tecnológico.
Rezende afirma que a BorgWarner mantém conversas com diferentes fabricantes de veículos. Segundo ele, há contato tanto com montadoras tradicionais, já instaladas no país, quanto com empresas chinesas que vêm ampliando sua presença no mercado brasileiro.
A chegada das montadoras chinesas, na avaliação do executivo, reforça uma estratégia que já estava em andamento antes da expansão dessas empresas no Brasil. Para a BorgWarner, o movimento amplia o mercado potencial para componentes e sistemas de eletrificação.
Redução de custo
Um dos principais objetivos do desenvolvimento da nova bateria é reduzir o custo dos sistemas utilizados nos caminhões elétricos. Rezende afirma que a bateria é atualmente um dos principais componentes responsáveis pelo custo adicional desses veículos em relação aos modelos convencionais.
A nova solução utiliza células LFP, de fosfato de ferro-lítio, em substituição à tecnologia NMC, baseada em níquel, manganês e cobalto, utilizada atualmente em parte das aplicações. Segundo o executivo, a mudança pode proporcionar uma redução significativa de custo.
A BorgWarner, no entanto, ainda não trabalha com um percentual fechado para essa redução. O ganho varia de acordo com a aplicação, o tamanho do conjunto de baterias e a autonomia necessária para cada veículo.
“Ela traz um ganho representativo do que custava uma NMC”, afirmou Rezende. Questionado sobre um percentual aproximado, o executivo disse que é difícil estabelecer um número porque o cálculo precisa ser feito caso a caso, em conjunto com as montadoras.
Além do custo, a empresa aponta outros fatores como vantagens da tecnologia. Segundo Rezende, a bateria pode ter vida útil de 12 a 15 anos e oferece benefícios relacionados à recarga rápida. A combinação desses fatores, segundo ele, pode contribuir para ampliar a viabilidade econômica dos veículos comerciais elétricos.
Mercado em expansão
A BorgWarner considera que a eletrificação dos caminhões será uma das próximas etapas de expansão dos veículos comerciais de nova energia. No Brasil, a empresa ainda concentra boa parte de sua atividade de baterias no segmento de ônibus, que começou a adotar a tecnologia antes dos caminhões.
Rezende afirma que o mercado de caminhões elétricos começa a ganhar novas aplicações, especialmente em operações de última milha e média distância. A expectativa da empresa é que a eletrificação avance gradualmente para outras categorias.
A BorgWarner atua atualmente com baterias em três grandes regiões: Europa, América do Norte e América do Sul. Para a nova tecnologia baseada em células LFP, Rezende afirma que as três regiões têm, neste momento, peso semelhante na estratégia de desenvolvimento da companhia.
A empresa pretende continuar oferecendo a tecnologia NMC, mas vê nas baterias LFP uma das frentes de crescimento do negócio nos próximos anos. No caso brasileiro, a produção local poderá atender não apenas o mercado doméstico, mas também outros países da América do Sul.
Para Rezende, a localização da produção ganha importância à medida que a indústria de veículos elétricos aumenta os volumes no país. A expectativa é que o avanço da fabricação local de veículos eletrificados crie escala suficiente para justificar investimentos em uma cadeia de fornecimento também local.
A companhia, portanto, ainda não tem cronograma, investimento ou volume inicial definidos para a fábrica brasileira. O projeto está condicionado à evolução da demanda e à definição dos contratos com as montadoras, enquanto o desenvolvimento tecnológico da bateria avança em outras unidades da BorgWarner.
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